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Retratos de Fayum: As fotos do Egito Antigo

As pinturas mais bem-preservadas da Antiguidade são uma imagem realista do tempo de Cleópatra

Redação Publicado em 14/07/2019, às 08h00

Pinturas representam pessoas comuns
Pinturas representam pessoas comuns - Museu Metropolitano de Arte de Nova York

Elas olham fixamente para você e parecem observar tudo com insistência. As pinturas egípcias conhecidas como Retratos de Fayum mostram pessoas comuns, provavelmente de classe média alta.

Elas pertencem ao fim do período ptolomaico e começo do domínio romano, que começara em 30 a.C. com a derrota de Cleópatra e Marco Antônio. A dinastia ptolomaica, grega, fora fundada por um general de Alexandre em 301 a.C. Cleópatra foi a última rainha ptolomaica. 

Embora os egípcios antigos tivessem traços essencialmente negros, processos de miscigenação levaram todas as cores: os rostos podem ser como nos tempos dos faraós, mas também subsaarianos, gregos, romanos e muito mais. 

Roupas e joias indicam classe média-alta /
Crédito: Museu Britânico

Os primeiros retratos foram encontrados no século 19, na cidade de Fayum, a 130 quilômetros do Cairo. Mais tarde, foram descobertos também em localidades próximas, como Mênfis e Tebas. 

Um senhor etnicamente grego do século 1 a.C. / 
Crédito: Museu do Brooklyn

Eles foram pintados entre os séculos 1 e 4 a.C. O estilo é tipicamente greco-romano, ainda que a tradição egípcia possa ser vista nos sarcófagos, como o abaixo.

Múmia de um jovem chamado Artemidorus /
Crédito: Museu Britânico

Os gregos interviram muito na religião egípcia. Anúbis e Ísis ainda eram celebrados — e a última até foi adotada em Roma. Egípcios continuaram a fazer múmias até o século 4, e inclusive existem múmias cristãs. 

As pinturas eram feitas em madeira ou peças de linho, usando cera, água e clara de ovo misturadas a pigmentos. Eram quase certamente feitos quando as pessoas ainda estavam vivas, com o objetivo de serem colocados sobre o sarcófago, para mostrar como era a aparência do morto. Isso emulava a maneira como os antigos faraós tinham suas faces esculpidas no sarcófago, mas de forma bem mais barata.

Mulher de cabelos cacheados, moda romana à época, usando brincos e colares / Crédito: Museu Real da Escócia

Há evidências de que as pinturas, antes de irem parar no túmulo, faziam parte da decoração da casa dos retratados. Coisas como irregularidades que impediam o encaixe perfeito nos sarcófagos e diferenças de idade entre a pessoa retratada e a mumificada.

Crédito: Museu Pushkin

Naturalistas, os retratos mostram as pessoas sempre de frente. Egípcios acreditavam que era preciso ajudar os deuses a identificá-los no pós-vida. Daí as faces nos sarcófagos e as pinturas e textos em tumbas, tradições que datavam de 2500 anos antes destes retratos.

Crédito: Museu de Arte Walters

Os Retratos de Fayum são considerados as obras mais preservadas da Antiguidade. Há cerca de 900 exemplares, expostos em museus de todo o mundo, como o Museu do Louvre, em Paris, o Museu Britânico, em Londres, e o Museu Metropolitano de Arte, em Nova York.