Galeria » Corrida Espacial

Laika: a trágica heroína da corrida espacial

Há 61 anos, a vira-latas soviética protagonizaria um um importante, mas triste, marco da conquista do espaço

Fabio Marton Publicado em 03/11/2018, às 00h30

Laika estava a bordo da nave Sputnik 2
Domínio Público

Fazia menos de uma semana desde que a Sputnik 1 se tornara o primeiro satélite artificial quando o time de cientistas liderados por Vladimir Yazdovsky recebeu a notícia: teriam de se apressar.

Em 10 de outubro de 1957 foi comunicado a eles que o lançamento do primeiro ser vivo ao espaço, projeto no qual vinham trabalhando, teria de acontecer antes do aniversário de 40 anos da Revolução Bolchevique, em 7 de novembro. Foi assim porque era, antes de mais nada, uma peça de propaganda.

Não havia a menor chance de criar algo que garantisse a sobrevivência em quatro semanas. A primeira missão de um ser vivo ao espaço seria suicida.

A vira-lata Laika foi encontrada na rua pelos cientistas Domínio Público

Apegados a seus cachorros no laboratório, os cientistas pegaram uma vira-lata nas ruas. Começaram o treinamento intensivo colocando-a em caixas cada vez menores para que não entrasse em pânico no espaço.

Um dia antes do lançamento, Yazdovsky levou-a para casa, para brincar com suas crianças e ter um dia normal antes de seu fim.

Laika durou sete horas no espaço. A nave superaqueceu a mais de 40 graus e ela não resistiu. Seu corpo em decomposição permaneceria no espaço até 14 de abril de 1958, quando a nave se desintegrou na reentrada. Quando puderam falar abertamente, anos depois, os cientistas se disseram arrependidos da crueldade.