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Levante de Soweto: a imagem que alertou o mundo sobre o apartheid

A famosa fotografia de Sam Nzima mostra um jovem estudante morto pela repressão policial em meio a um protesto pacífico

André Nogueira Publicado em 01/11/2019, às 08h00

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- Sam Nzima

O apartheid na África do Sul foi, por muito tempo, negligenciado pela comunidade internacional e só seria veiculado pelo mundo após os anos 1970. Entre os motivos de este regime excludente chegar finalmente aos olhos das pessoas foi o protesto ocorrido em 16 de junho de 1976, quando milhares de estudantes tomaram as ruas de Soweto para manifestar repúdio à nova lei que tornava obrigatório o ensino do africâner nas escolas.

Ao longo do trajeto, muitas escolas e estudantes optaram por passeatas, incluindo o estudante de 13 anos Hector Pieterson. Quando o protesto já estava consideravelmente grande, a polícia foi lançada para reprimi-lo, e os policiais começaram a lançar gás lacrimogêneo. Em busca de proteção, os manifestantes começaram a lançar pedras contra a polícia, que respondeu com um tiroteio de verdade.

Crédito: Sam Nzima 

 

“No começo, fugi da cena. Mas então, depois de me recuperar, voltei”, relatou o jornalista Sam Nzima, que cobria o protesto. Nzima foi um dos primeiros a constatar que Pieterson, o jovem garoto, havia caído em meio à confusão, enquanto ocorria a chuva de balas. Ao se deparar com a cena, o estudante Mbuyisa Makhubu suspendeu o corpo do menino e correu ao lado da irma de Nzima, Antoinette. Era tarde, a criança estava morta.

"Este governo não será intimidado", alertou o primeiro-ministro John Vorster sobre o ato que se tornou uma batalha campal. No entanto, todo o aparato repressivo sul-africano não foi capaz de conter as lentes daquele jornalista, que retratou a cena do jovem estudante carregando o garoto que foi vítima da repressão racista.

Nzima recebe a  Ordem de Ikhamanga do Presidente Jacob Zuma / Crédito: Getty Images

 

Depois que Nzima publicou a fotografia do protesto, ele teve de se esconder das ameaças de morte que recebeu. Mesmo assim, o jornalista seguiu de pé e sua imagem forçou o mundo a reparar na existência de um regime de segregação na África do Sul. Depois disso, foi possível crescer o número de mobilizações internacionais em oposição ao projeto racista bôer.


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