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O poeta e o ditador

O tenente Yevgeny Dolmatovsky celebrou a vitória sobre os nazistas com desfiles e versos

Redação AH Publicado em 15/12/2018, às 10h00

A cabeça como troféu
A cabeça como troféu - Reprodução

Ok, não é a cabeça do ditador – essa foi achada junto com o corpo pelos soviéticos e movida diversas vezes, até ser destruída nos anos 70, com possíveis fragmentos de paradeiro desconhecido. O que aparece aqui é um busto de Hitler, provavelmente tirado de um prédio destruído, sob o braço do poeta Yevgeny Dolmatovsky.

Era 2 de maio de 1945 e ele servia ao Exército Vermelho como tenente. Nesse dia, o general Helmuth Weidling assinou a rendição das forças nazistas a Vasily Chuikov, comandante soviético, dando fim à Batalha de Berlim. Dolmatovsky comemorou não só desfilando com a cabeça de Hitler, mas também recitando poesias para seus colegas no Portão de Brandemburgo, no que também foi fotografado.

A foto foi a principal atração de uma exposição recente no Museu Histórico Alemão, em Berlim. Seu autor é Yevgeny Khaldei, o mesmo que captaria o bem mais famoso momento em que um soldado planta uma bandeira soviética no Reichstag. 

O poeta Dolmatovsky faria carreira como um letrista de música popular – a mais famosa delas, “A Pátria Mãe Escuta”, que foi cantada por Yuri Gagarin em sua primeira viagem ao espaço. Khaldei, o fotógrafo, continuou a trabalhar para a imprensa soviética, tendo uma fase de freelancer após ser demitido por “corte de custos”. Pois é, isso existia na União Soviética.