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Quando Elvis pediu para ser agente secreto

Numa alucinada viagem pelo país, o rei do rock deu uma arma ao presidente e pediu para entrar no FBI a fim de combater as drogas

Fábio Marton Publicado em 07/11/2018, às 06h00

Elvis Presley visita o presidente Richard Nixon
Getty Images

Em dezembro de 1971, após uma briga com a mulher, Elvis Presley saiu de casa com a roupa do corpo. Entrou armado em um voo comercial para Washington e ali encontrou o senador George Murphy. Contou de seus planos de se tornar agente do Bureau de Narcóticos e Drogas Perigosas. O senador sugeriu uma visita ao presidente Richard Nixon. Elvis escreveu uma carta ali mesmo, pedindo a entrevista.

O republicano Richard Nixon era extremamente impopular por causa da Guerra do Vietnã. No ano seguinte à carta, Nixon lançou a “guerra às drogas”, o combate implacável ao consumo, política que dura até hoje. Em 1972, estouraria o escândalo Watergate, que o poria à beira do impeachment, fazendo com que ele renunciasse.

Elvis mencionou um encontro com o vice-presidente Spiro Agnew, a quem o cantor, fanático por armas de fogo, havia presenteado com um revólver decorado. A pistola Colt 45 com que havia fugido de casa seria dada de presente a Nixon. Acusado de corrupção, Agnew renunciaria em 1973.

O cantor informou ao presidente que os hippies e panteras negras não o viam como inimigo, o que permitiria a ele influenciar os jovens. Nixon chamou-o para a Casa Branca horas depois de ler a carta, no dia 21. Na reunião, Elvis propôs trabalhar como informante e saiu com um distintivo de agente do Bureau de Narcóticos. Ele colecionava distintivos.

Elvis afirmou que aquilo que os hippies chamavam de establishment (o sistema), ele chamava de América. Nas outras páginas da carta, ainda menciona entender os métodos de "lavagem cerebral comunista" e termina dizendo que Nixon é um dos “10 americanos de maior destaque”.