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Em imagens: A queda da Bastilha

Em 14 de julho de 1789, o símbolo do absolutismo foi invadido porque o povo queria munição

Maria Carolina Cristianini Publicado em 14/07/2019, às 10h00

A Queda da Bastilha, por Jean-Pierre Houël
A Queda da Bastilha, por Jean-Pierre Houël - Wikimedia Commons

A Idade Contemporânea começou às 17h de 14 de julho de 1789. Nesse horário, a prisão que simbolizava a monarquia em Paris foi ocupada pelo povo, que assim dava início à Revolução Francesa. Mas as pessoas que queriam tomar o local não pensaram nisso. Elas só queriam munição.

Erguida em 1370, a Bastilha era uma fortaleza militar. No século 17, o local se firmou como cadeia. "Suas masmorras recebiam prisioneiros do rei", diz o historiador André Joanilho, da Universidade Estadual de Londrina. Assim ficou até 1789, ano em que a França beirava o caos. Enquanto a desigualdade imperava, o governo esbanjava nos gastos e deixava 25 milhões de pessoas insatisfeitas.

Sob pressão, o rei Luís XVI (1754-1793) reuniu em maio os Estados Gerais a fim de buscar saídas para o colapso financeiro. Percebendo que os privilégios seriam mantidos, a burguesia fundou sua própria Assembleia Nacional. Mas boatos de que o rei pretendia dissolvê-la geraram uma onda de saques, que culminaram na tomada da fortificação.

Confira os detalhes do episódio:

Muralhas rochosas

 

Feita de pedra, a Bastilha tinha oito torres e paredes de 2,75 metros de espessura. Para entrar, era preciso vencer duas pontes-levadiças, pois ao redor do castelo havia um fosso de mais de 25 metros de largura, por onde passava água do rio Sena.

Loucos e falsários

Por ano, a fortaleza recebia em média 40 presos. No dia da tomada, havia sete: um nobre, dois loucos e quatro falsários. Também estavam lá 82 suboficiais, o diretor do local, o marquês de Launay, e 32 guardas suíços. Para a defesa, eles contavam com 15 canhões e 12 fuzis.

Vida de presidiário

Para lá iam pessoas a mando do rei, sem julgamento nem sentença. O tratamento aos presos era imprevisível: existem relatos de celas onde só se ficava em pé, mas também de quartos com camas e cadeiras. Um dos detidos, o marquês de Sade (1740-1814), tinha esses privilégios.

Conversa vai...

Em 12 de julho de 1789, o diretor das finanças real é demitido. Em reação, 50 mil homens roubam armas pela cidade. Em 14 de julho, marceneiros, sapateiros e alfaiates vão à Bastilha por munição. Às 10h30, começam a negociar com o diretor, o marquês Launay, que convida os líderes para almoçar.

Irritação crescente

Ao longo do dia, o povo começa a se agitar. Alguns, mais exaltados, cortam a golpes de machado as correntes das portas exteriores. Ninguém sabe de onde vem o primeiro tiro, mas ele é o estopim de um conflito armado entre a população e os soldados da fortaleza.

A queda

Às 17h, o diretor se rende e a segunda ponte-levadiça é baixada. Liderado por 800 manifestantes, o povo invade o castelo, pega a munição e liberta os prisioneiros. Launay é decapitado e sua cabeça desfila pelas ruas na ponta de uma lança. No total, morreram cerca de 100 populares e um guarda.