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Retratos de Fayum: As “fotos” do Egito Antigo

As pinturas mais bem-preservadas da Antiguidade são uma imagem realista das pessoas normais do tempo de Cleópatra e depois

sexta 6 abril, 2018
Pinturas representam pessoas comuns
Pinturas representam pessoas comuns Foto:Museu Metropolitano de Arte de Nova York

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Elas olham fixamente para você e parecem observar tudo com insistência. As pinturas egípcias conhecidas como Retratos de Fayum mostram pessoas comuns, provavelmente de classe média alta.

Elas pertencem ao fim do período ptolomaico e começo do domínio romano, que começara em 30 a.C. com a derrota de Cleópatra e Marco Antônio. A dinastia ptolomaica, grega, fora fundada por um general de Alexandre, começara em 301 a.C. Cleópatra foi a última rainha grega. 

Os egípcios, assim, vinham em todas as cores: seus traços podem ser como dos tempos dos faraós, mas também subsaarianos, gregos, romanos e tudo no caminho. 

Roupas e joias indicam que os retratados eram de classe média alta Museu Britânico

Os primeiros retratos foram encontrados no século 19, na cidade de Fayum, a 130 quilômetros de Cairo. Mais tarde, foram descobertos também em localidades próximas, como Mênfis e Tebas. 

Um senhor etnicamente grego do século 1 a.C. Museu do Brooklyn

Eles foram pintados entre o século 1 a.C. e o século 4 . O estilo é tipicamente greco-romano, ainda que a tradição egípcia possa ser vista nos sarcófagos, como o abaixo.

Múmia de um jovem chamado Artemidorus Museu Britânico

Os conquistadores interviram muito na religião egípcia. Anúbis e Ísis ainda eram celebrados — e a última até foi adotada em Roma. Egípcios continuaram a fazer múmias até o século 4, e existem múmias cristãs. 

As pinturas eram feitas em madeira ou peças de linho, usando cera, água e clara de ovos misturadas a pigmentos. Eram quase certamente feitos quando as pessoas ainda estavam vivas, com o objetivo de serem colocados sobre o sarcófago, para mostrar como era a aparência do morto. Emulando a maneira como os antigos faraós tinham suas faces esculpidas no sarcófago (mas muito mais barato).

Mulher de cabelos cacheados, moda romana da épóca, usando brincos e colares Museu Real da Escócia

Há evidências de que as pinturas, antes de irem parar no túmulo, faziam parte da decoração da casa dos retratados. Coisas como irregularidades que impediam o encaixe perfeito nos sarcófagos e diferenças de idade entre a pessoa retratada e a mumificada.

Museu Pushkin

Naturalistas, os retratos mostram as pessoas sempre de frente. Egípcios acreditavam que era preciso ajudar aos deuses a identificá-los no pós-vida. Daí as faces nos sarcófagos e as pinturas e textos nas tumbas, tradições datavam de 2500 anos antes destes retratos.

 Museu de Arte Walters

Os Retratos de Fayum são considerados as obras mais preservadas da Antiguidade. Há cerca de 900 exemplares, expostos em museus de todo o mundo, como o Museu do Louvre, em Paris, o Museu Britânico, em Londres, e o Museu Metropolitano de Arte, em Nova York.

Letícia Yazbek

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