A cachorra prisioneira

Judy recebeu honras e medalha por servir na guerra

Otavio Cohen Publicado em 07/10/2016, às 11h59 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h35

Judy, a famosa soldada canina, recebendo sua condecoração
Judy, a famosa soldada canina, recebendo sua condecoração - divulg.
Ahistória da cachorrinha Judy começa em 1942, em Xangai. A pointer inglês foi adotada pela tripulação de um navio britânico que estava aportado na cidade chinesa e logo virou a mascote do pessoal da Marinha Real Britânica em missão no Pacífico. Em janeiro, Judy estava a bordo do HMS Grasshopper em Cingapura, quando os japoneses atacaram a embarcação.
Os cerca de 50 homens da tripulação sobreviveram ao ataque, mas ficaram perdidos em uma ilha deserta no Mar da China Meridional, sem água ou comida. Dias depois, Judy apareceu e encontrou água.
Os tripulantes foram capturados por tropas japonesas inimigas e levados a um campo de prisioneiros na Indonésia. Foi lá que ela conheceu o aviador Frank Williams, que dividia com ela água e comida e a escondia. 
Vários prisioneiros do campo adoravam a cadela. Os guardas, nem tanto. Williams sabia que algum guarda logo atiraria na pobre mascote. Então fez um plano para que Judy fosse considerada oficialmente uma prisioneira do campo. Assim, ela teria a mesma proteção que todos os outros soldados e ainda ganharia comida.
O plano era simples: bastava esperar o comandante japonês encarregado do campo beber uma dose de saquê e, então, fazer a ele o pedido inusitado. Deu certo. Judy virou a prisioneira de guerra número POW 81A.
Os prisioneiros foram transferidos para outro campo, em Cingapura. O barco foi atacado, e Frank, preocupado com a possibilidade de uma bala atingir a cachorra, arremessou-a na água. Animal de estimação e dono se perderam. Frank chegou ao segundo campo sem Judy. Dias depois, chegaram notícias de que ela havia salvado a vida de vários soldados caídos na água. Mas nada da cachorra. Até que um dia, quando ele não tinha mais esperanças, Judy o achou. 
Em 1945, quando humano e cachorra foram finalmente liberados do campo de prisioneiros devido ao fim da guerra, surgiu um último obstáculo. A embarcação que levaria Williams de volta para a Inglaterra não aceitava animais. O aviador precisou da ajuda de seus companheiros para distrair os guardas e, assim, conseguiu entrar com Judy no navio. Ao chegar à Inglaterra, Judy foi recebida com todas as honras, inclusive uma medalha especial para animais que serviram na guerra. A cadela permaneceu ao lado de Frank Williams até 1950.


Este texto foi extraído da obra HISTÓRIA BIZARRA DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL, de Otavio Cohen, Editora Planeta.