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100 anos da descoberta de Tutancâmon: Exposição revela segredos do achado

Tumba do faraó menino foi encontrada em 1922 pelo egiptólogo britânico Howard Carter

Fabio Previdelli | @fabioprevidelli_ Publicado em 12/05/2022, às 14h08

Busto do rei Tutancâmon
Busto do rei Tutancâmon - Divulgação/Harry Burton//Griffith Institute/Oxford University

Em 1922, o egiptólogo britânico Howard Carter fez uma das maiores descobertas do século passado: a tumba do faraó Tutancâmon no Vale dos Reis, no Egito. O pesquisador explorava o local a pedido de George Herbert, o 5º Conde de Carnarvon. 

Devido às recentes descobertas no local, Carnarvon esperava que Carter pudesse achar algo que o impressionasse. As escavações sob seu financiamento começaram em 1907, mas sofreram algumas paralisações por conta da Primeira Guerra Mundial. 

Retomadas após o fim do conflito, o Conde havia decidido que 1922 seria o último ano que financiaria pesquisas por lá. Por sorte, em 4 de novembro, Carter encontrou degraus que levariam à tumba do faraó menino

A tumba do faraó Tutancâmon em cores vivas/ Crédito: Getty Images

A antecâmara da tumba foi aberta em 26 de novembro, depois que Carnarvon foi até o Vale dos Reis para ver de perto o achado. Quando uma brecha foi feita no lado esquerdo superior da porta de entrada, um raio de luz iluminou parte do local. Ansioso por respostas, o Conde perguntou se Carter havia visto alguma coisa. 

Yes, wonderful things" ('sim, coisas maravilhosas’), ele respondeu. 

Era apenas o início de uma exploração que, até hoje, intriga pesquisadores e gera extremo interesse em qualquer um. Dentro do grande local que abrigava o rei Tut, foram localizados inúmeros artefatos. Uma representação não apenas da riqueza de seu reinado como também das práticas ritualísticas daquele período histórico. 

Quase um século depois, uma exposição na Biblioteca Bodleiana da Universidade Oxford, na Inglaterra, traz detalhes de uma das maiores descobertas da arqueologia moderna. Saiba mais!

A exposição

Organizado pela Biblioteca Bodleiana da Universidade Oxford, a exposição ‘Tutankhamon: Excavating the Archives’ (ou ‘Tutancâmon: Escavando os Arquivos’, em tradução livre) apresenta anotações feitas pelo egiptólogo britânico Howard Carter em seu diários, assim como cartas, planos, desenhos e até mesmo fotos tiradas por Harry Burton — que acompanhou o britânico na expedição no Vale dos Reis. 

O material centenário traz um novo ponto de vista sobre a escavação no local de descanso do rei Tutancâmon, que durou cerca de uma década. Durante o processo, a tumba do faraó menino foi encontrada praticamente intacta, algo muito raro para um sítio arqueológico egípcio. 

Segundo explica matéria publicada pela BBC, a exposição também desmistifica algumas percepções sobre a figura de Carter como um “herói solitário”. Muito pelo contrário, registros mostram que o egiptólogo teve a ajuda de dezenas de trabalhadores locais — embora muitos deles tenham sido esquecidos. 

Um ponto emblemático da exposição é a foto de um menino egípcio usando um pesado colar de jóias encontrado no local. A figura pode ser vista como uma simbologia da união entre o Egito antigo e o moderno. Apesar de sua importância, a identidade do jovem jamais foi descoberta. 

Menino usando o colar e trabalhadores na tumba/ Crédito: Divulgação/Harry Burton//Griffith Institute/Oxford University

Além do mais, registros retratam dois trabalhadores cuidadosamente desmontando uma parede divisória, que culminou com a abertura da câmara funerária. Nas publicações de Howard Carter, quatro trabalhadores egípcios são nomeados e agradecidos: Ahmed Gerigar, Gad Hassan, Hussein Abu Awad e Hussein Ahmed Said. Porém, nenhum registro deles foi encontrado. 

De acordo com a curadora da exposição, a arqueóloga Daniela Rosenow, pouco mais de 50 trabalhadores locais foram contratados pelo britânico para ajudá-lo a explorar a tumba — crianças também participaram do processo.

Todavia, seus nomes não foram registrados, mesmo assim, Daniela vê que as fotos tiradas desafiam tal estereótipo colonial que dá os méritos a apenas um homem — nessa caso Carter

Através dessas fotografias podemos ver a contribuição vital [dos egípcios] e isso deixa claro que o que temos aqui é apenas uma parte da história”, disse à BBC. 

Os registros

No meio da exposição, outro registro fotográfico chama a atenção: uma imagem com tom dramático e que foi propositalmente pensada. Nele é possível ver Carter e sua equipe abrindo as portas de um santuário dourado.

Enquanto o britânico está de cócoras, seu assistente Arthur Callender e outro trabalhador não identificado aparecem atrás dele. A imagem foi usada para ‘vender’ Howard como um “aventureiro inglês” ao mundo.

Carter, Callender e outro trabalhador não identificado/ Crédito: Divulgação/Harry Burton//Griffith Institute/Oxford University

Há também a foto tirada por Burton que mostra a parte externa do caixão de Tut, enfeitado com flores e folhas de oliveiras. Após ser exposto, porém, esse material natural acabou se desintegrando, sendo o registro fotográfico a única recordação que se tem desse elemento. 

Também é possível ver o momento em que o cirurgião britânico Douglas Derry fez a primeira incisão no corpo mumificado do faraó menino, em um exame que foi realizado em 11 de novembro de 1925.

Momento em que o cirurgião britânico Douglas Derry fez a primeira incisão no corpo mumificado do faraó menino/ Crédito: Divulgação/Harry Burton//Griffith Institute/Oxford University

À sua direita está o cirurgião egípcio Saleh Bey Hamdi. O diretor-geral francês do Serviço de Antiguidades do Egito, Pierre Lacau, também aparece no registro, assim como Carter e outros trabalhadores. 

Desenho de Anúbis feito por Carter e estátua real/ Crédito: Divulgação/Harry Burton//Griffith Institute/Oxford University

Por fim, a exposição também apresenta fotos da máscara de ouro maciço de Tut, uma das descobertas mais emblemáticas de sua tumba; além do desenho da estátua de Anúbis feita por Howard — o esboço inclui medidas e anotações escritas pelo egiptólogo.