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114 anos após descoberta, a verdadeira origem da Vênus de Willendorf

A pesquisa foi publicada no final do mês passado na revista Scientific Reports

Redação Publicado em 06/03/2022, às 10h00

A Vênus de Willendorf vista de diferentes ângulos
A Vênus de Willendorf vista de diferentes ângulos - Wikimedia Commons / Bjorn Christian Torrissen

A estatueta Vênus de Willendorf, datada de 30 mil anos atrás, é um dos mais importantes artefatos arqueológicos já encontrados na Europa. No entanto, durante mais de um século, especialistas estiveram enganados quanto à sua procedência, conforme apontou um novo estudo publicado no dia 28 de fevereiro na revista Scientific Reports.

Origem italiana

O pequeno objeto foi encontrado no ano de 1908 por um trabalhador da vila de Willendorf, na Áustria. Por essa razão, tudo levava a crer que a Vênus tinha origem austríaca.

No entanto, uma análise minuciosa promovida pela equipe do antropólogo Gerhard Weber, da Universidade de Viena, revelou que a verdadeira origem da estatueta se encontrava em um país vizinho: a Itália.

A Vênus de Willendorf / Crédito: Wikimedia Commons / Matthias Kabel

Analisando a Vênus

Os pesquisadores perceberam que a matéria-prima utilizada na fabricação do artefato não poderia ser encontrada na Áustria. Por meio de microtomografias de alta resolução, foi possível constatar que a estatueta foi feita a partir de rochas de oólitos, pequenos grãos redondos do tamanho dos de areia existentes no norte da Itália. 

Logo de início, a equipe de Weber notou que a estátua da Vênus não era uniforme em seu interior. Foi então que eles decidiram comparar o material com rochas de diferentes países da região como Áustria, França, Itália e Alemanha.

Assim, descobriram que a rocha utilizada na elaboração do artefato era exatamente igual a uma amostra coletada em um local próximo ao Lago Garda, no norte do território italiano. 

Microscopia de uma lâmina com oólitos  / Crédito: Wikimedia Commons / Mark A. Wilson

Longo trajeto

De acordo com os especialistas, tudo indica que o artefato viajou mais de 650 quilômetros nas mãos de caçadores-coletores do Paleolítico até chegar em seu destino, passando do sul dos Alpes até o rio Danúbio.

"O povo de Gravettian [cultura de ferramentas da época] procurava e habitava locais favoráveis. Quando o clima ou a situação das presas mudavam, eles se moviam preferencialmente ao longo dos rios", explicou Weber, em comunicado.

O pesquisador agora pretende utilizar as novas informações obtidas para tentar entender melhor a história dos povos que habitaram a Europa, mais especificamente na região alpina.

Confira aqui o estudo completo.


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