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257 tiros: Militares do Exército são condenados por mortes de músico e catador no RJ

O caso ocorreu em abril de 2019 e chamou atenção pela violência

Wallacy Ferrari, sob supervisão de Penélope Coelho Publicado em 14/10/2021, às 10h45

Evaldo e Luciano em montagem
Evaldo e Luciano em montagem - Divulgação / YouTube / TV Globo

Oito militares envolvidos no assassinato do músico de Evaldo dos Santos Rosa, de 51 anos, e do catador de materiais recicláveis, Luciano Macedo, em abril de 2019, foram condenados durante a madrugada desta quinta-feira, 14, após mais de 15 horas de julgamento.

O caso ocorreu em Guadalupe, na zona norte do Rio de Janeiro, e ficou nacionalmente conhecido após a perícia confirmar ao menos 257 disparos contra os homens.

Sete militares foram condenados a 28 anos de reclusão, mas, o tenente Ítalo da Silva Nunes —que comandava a ação policial — foi condenado a 31 anos e 6 meses. Todos por crimes de homicídio e tentativa de homicídio.

Quatro militares que acompanhavam os agentes no local foram absolvidos, visto que não foram encontradas evidências de terem atirado contra as vítimas.

Juntos, os 12 foram absolvidos pelo crime de omissão de socorro, visto que permaneceram no local para o registro da ocorrência e condução dos corpos. A decisão foi aprovada por três votos favoráveis de cinco magistrados presentes na Justiça Militar, na Ilha do Governador. A defesa afirmou que irá recorrer da decisão.


Relembre o caso

Em 7 de abril de 2019, o carro do músico Evaldo dos Santos Rosa, que estava ocupado por quatro pessoas, incluindo sua esposa e filho de sete anos, foi alvejado por tiros enquanto ia a um chá de bebê.

Luciano Macedo era um catador de materiais recicláveis e tentou ajudar as vítimas ao passar pelo local, mas, também foi baleado e morreu dias depois no hospital. Na época, o Exército alegou ter confundido o carro dele com o de criminosos.