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3 anos de impasse: obra de 1435, perdida durante a Segunda Guerra, é devolvida à Polônia

Apesar da pandemia de coronavírus, a arte conhecida como Trono da Graça voltou para casa depois de 78 anos

Gabriel Fagundes Publicado em 24/03/2020, às 10h09

Pietas Domini do oratório da Santíssima Trindade na igreja de Santa Maria em Gdańsk
Pietas Domini do oratório da Santíssima Trindade na igreja de Santa Maria em Gdańsk - Wikimedia Commons

Depois de 78 anos, o altar gótico de Pietas Domini de 1435 d.C., conhecido como Trono da Graça, que havia sido removido da Basílica de Santa Maria de Gdańsk, durante a Segunda Guerra Mundial, foi devolvido à Polônia.

O quadro estava longe de casa há muito tempo, mas seu elemento central apareceu em 1999 no inventário dos Museus Estatais de Berlim. Durante todo esse tempo, a pintura estava em exibição na Gemäldegalerie, e a base do altar estava emprestada a uma igreja no distrito de Moabit, também na capital alemã.

Isso ocorreu porque, em 1942 os conservadores de arte alemães desmontaram a obra para preservá-la de um possível ataque aéreo, que poderia ocorrer na sua cidade natal — Gdansk, que logo em seguida foi tomada por soviéticos. Contudo, somente em 2015, o ministério da cultura da Polônia iniciou o processo de recuperação da pintura perdida, mas, mesmo assim, foram três anos de impasse até que a Igreja Evangélica Alemã decidisse devolver a pintura do altar à Basílica de Santa Maria.

A obra sendo carregada para voltar para seu local de origem / Crédito: Divulgação/Facebook

 

Entretanto, no espírito de entendimento ecumênico entre igrejas e reconciliação entre as nações, a arte acaba de conseguir voltar para sua casa. O ministério da cultura polonês expressou em uma declaração que "o desaparecimento do altar foi à perda mais grave de todos os monumentos do século 15 pertencentes à Basílica de Santa Maria em Gdańsk".

Ademais, mesmo com a preocupação sobre a possibilidade de o quadro atravessar a fronteira da Alemanha devido à pandemia de coronavírus, a pintura foi finalmente permitida sair do país depois que critérios sanitários rigorosos foram acordados.