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Notícias / Troca de bebês

37 anos depois, famílias descobrem troca de bebês em maternidade

Após a morte de seu pai biológico, Mônica Tatiane Ribeiro fez exame de DNA por questões relacionadas ao inventário, no entanto, descobriu não ser filha dele e tampouco de sua mãe

Fabio Previdelli Publicado em 01/08/2022, às 10h20

Thaisa, Maria Regina e Mônica Tatiane em um encontro após a descoberta da troca - Arquivo pessoal
Thaisa, Maria Regina e Mônica Tatiane em um encontro após a descoberta da troca - Arquivo pessoal

Embora a confeiteira Mônica Tatiane Ribeiro, de 37 anos, tenha sido registrada como filha do companheiro de sua mãe, Maria de Lourdes, ela era fruto da relação da mulher com outro homem. Quando seu pai biológico morreu, em outubro de 2021, ela foi submetida a exames de DNA por questões relacionadas ao seu inventário. 

Foi aí que a surpresa começou, os testes apontaram que Mônica não possuía genomas compatíveis com seu suposto pai biológico e tampouco com sua mãe. Ela havia sido trocada com outra criança na maternidade quando nasceu, na Santa Casa de Sertãozinho, no interior de São Paulo.  

“Quando o laboratório me deu o resultado de incompatibilidade eu não conseguia acreditar. Nunca tivemos nenhuma desconfiança de que eu não fosse filha da minha mãe. Fizemos dois exames, em locais diferentes, para ter a certeza”, disse a confeiteira em entrevista ao UOL. 

Com isso, ela foi até a maternidade onde nasceu para buscar registros de outros nascimentos em 1º de dezembro de 1985. Além de Mônica, outras oito meninas haviam nascido naquele dia. 

"O hospital foi por exclusão. Viu qual era a outra bebê que havia nascido no horário mais próximo e descobriu que a mãe chamava Maria Regina, nome parecido com o da minha mãe [de criação], que é Maria de Lurdes, e elas tinham a mesma idade", explica. 

Com a descoberta, Maria Regina Dias do Nascimento Fernandez, de 56 anos, que mora em Ribeirão Preto , vizinha de Sertãozinha, foi contactada pela Santa Casa — ela é mãe de Thaísa Nascimento Fernandez

O instituto enviou um comunicado à Maria, que é corretora de imóveis. Por achar ser uma cobrança tardia sobre a morte de seus pais, que aconteceu anos antes, ela demorou para responder a Santa Casa. A maternidade exigia que ela fosse pessoalmente ao local para tratar do assunto, mas uma reunião virtual acabou sendo feita, pois Maria Regina não podia ir até o centro médico. 

Quando ele me falou que podia ter ocorrido a troca dos bebês, foi um choque porque jamais imaginei esse tipo de situação. Inicialmente eu duvidei, mas depois fica aquela dúvida. Lembro que eu estava com uma amiga em casa e eu não contei nada para ninguém”, conta. 

Nova mãe

Regina e Tatiane, posteriormente, foram submetidas a um exame de DNA para verificar a compatibilidade de genoma. A troca foi constatada. “A nossa semelhança física é notória, quando eu a vi ali, tive a certeza da troca e comecei a chorar”, diz Maria Regina sobre Mônica Tatiane, sua filha biológica. 

Maria Regina ao lado de Mônica Tatiane (filha biológica) e Thaísa (filha de criação)/ Crédito: Arquivo Pessoal

"Passa um filme na sua cabeça e você começa a lembrar de tudo o que aconteceu naquele dia. Recordo que a minha bebê chegou no quarto sem a pulseira de identificação e quando questionei, a enfermeira ela disse que havia caído", recorda a mulher. 

É um misto de sensações. Se abre um grande vazio, você fica triste e feliz porque é sua filha, mas, ao mesmo tempo não é. A vida vira de ponta-cabeça", completa.