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38 dias à deriva no oceano: a impressionante saga de Dougal Robertson e sua família

Anos antes, o inglês perdeu sua primeira esposa em uma tragédia marítima — e fez questão que isso não acontecesse de novo

Wallacy Ferrari Publicado em 30/06/2020, às 14h30 - Atualizado às 18h00

Fotografia do bote durante o resgate pelos pescadores japoneses
Fotografia do bote durante o resgate pelos pescadores japoneses - Divulgação / Alchetron

O flerte com a vida marinha de Dougal Robertson começou ainda em Edimburgo, onde o britânico nasceu, cresceu e juntou-se à Marinha Mercante Britânica quando atingiu a maioridade. Ex-aluno do Colégio Náutico de Leith, o homem conhecia os caminhos para a sobrevivência no mar quando começou a atuar no segmento.

Um choque, no entanto, ocorreria em 1942, quando o SS Sagaing, navio onde o homem trabalhava e residia com esposa e filho, foi atacado pela Marinha Imperial Japonesa, no episódio conhecido “ataque em Trincomalee”. O ataque resultou na morte da companheira e filho de Dougal, que desistiu de prosseguir trabalhando no mar após ocorrido.

O sonho de retomar o contato com a água, no entanto, não foi embora; ao reconstituir família, casou-se novamente, com uma moça chamada Lyn, e juntos tiveram quatro filhos, que cresceram ouvindo suas histórias náuticas. No início da década de 1971, Dougal conseguiu juntar economias suficientes e, estimulado pelos filhos, dava mais uma chance para a vida marinha.

A família, após o resgate de pescadores na costa panamenha / Crédito: Divulgação/YouTube/AP Archive/25.07.1972

 

O barco do pesadelo

Unindo boa parte do dinheiro acumulado em vida, o homem adquiriu uma escuna, feita inteiramente de madeira, com 13 metros de comprimento. O modelo, construído em 1922, foi comprado em Malta e partiu da costa de Falmouth, na Inglaterra, para diversas partes do mundo em uma grande expedição.

Visitando principalmente os pontos cobertos pelo Oceano Atlântico, a família Robertson conheceu diversos países durante mais de um ano. Anne era filha mais velha, com 18 anos, e decidiu que deixaria a tripulação para procurar um emprego no Caribe, deixando o barco com cinco pessoas. Circulando o Canal do Panamá, ainda deram carona para um homem chamado Robin, que ajudaria a família a prosseguir até as Ilhas Galápagos.

O visitante, no entanto, era inexperiente e, guiando o barco, acabou sendo atacado por baleias, durante a noite de 15 de junho de 1972, a cerca de 320 km de Galápagos. Em uma rápida ação orientada por Dougal, a família e Robin foram deslocados para um bote salva-vidas antes do afundamento da embarcação, iniciando uma longa batalha pela sobrevivência.

Robertson mostra aos pescadores como ficou no barco / Crédito: Divulgação/YouTube/AP Archive/25.07.1972

 

Líder nato

Dougal não apenas soube conter os ânimos dos filhos, mas soube gerir a crise com maestria; sem previsão de resgate, armazenava apenas algumas ferramentas de sobrevivência, sem suprimentos. Com os itens que havia guardado no bote — cordas, arpões, fios cortantes e recipientes — o inglês conseguiu conduzir o barco até um ponto de chuva e coletar água potável ainda nos primeiros dias à deriva.

Também apanhou peixes e tartarugas para consumo, realizando técnicas para produzir carne seca e própria para comer e armazenar, visto que não havia previsão de resgate. Com auxílio de uma vela improvisada, conseguiram se orientar pelo vento, possibilitando a aproximação da costa. Após 38 dias do naufrágio, o grupo foi avistado por um barco de pesca japonês, sendo levados de volta à costa.

Além de todos os feitos para garantir sua sobrevivência e dos familiares, Dougal ainda manteve a calma e escreveu um diário durante os dias que passou no bote, posteriormente lançando as memórias no livro ‘Survive the Savage Sea’, em 1973. Sorridente e bastante feliz por ter conseguido salvar a vida das pessoas que ama, o inglês passou a vida navegando e escrevendo sobre a sobrevivência no mar, até falecer aos 67 anos, vítima de um câncer, em 1991.


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