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66 anos após linchamento, caso Emmett Till tem desdobramentos

O adolescente negro foi sequestrado, torturado e morto em 1955 depois de ser acusado de ter assobiado para uma mulher branca

Isabela Barreiros Publicado em 07/12/2021, às 09h20

Lápide de Emmett Till nos Estados Unidos
Lápide de Emmett Till nos Estados Unidos - Getty Images

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou na última segunda-feira, 6, que a investigação sobre a morte de Emmett Till, adolescente negro que foi linchado em 1955 no Mississippi após ter sido acusado de assobiar para uma mulher branca, está sendo encerrada depois de ter sido reaberta em 2017.

O caso foi reaberto quando o historiador Timothy B. Tyson publicou “The Blood of Emmett Till”, em 2017. Na obra, ele escreve que Carolyn Bryant Donham, figura-chave no caso, teria mentido sobre se o adolescente a havia tocado. Na versão oficial, a mulher afirma que o jovem a agarrou, assobiou e a importunou sexualmente.

Mas o livro de Tyson lançou dúvidas sobre o testemunho ao citá-la como retratando essa história por meio de uma entrevista, concedida seis décadas depois do episódio, em que teria afirmado que a acusação de assédio era infundada.

Parentes de Donham, que está com por volta dos 80 anos, foram consultados pelos investigadores do caso e negaram que ela tenha dado tais declarações ao autor.

Segundo o Departamento de Justiça, a conclusão é de que há "provas insuficientes para provar que ela alguma vez disse ao professor [Tyson] que qualquer parte de seu depoimento era falsa".

O departamento acrescentou que, “embora o professor afirmasse que havia gravado duas entrevistas com ela, ele forneceu ao FBI apenas uma gravação, que não continha nenhuma retratação”.

Também foi informado que o autor do livro “forneceu explicações inconsistentes sobre se a gravação em falta incluía a alegada retratação ou se, em vez disso, a mulher fez a admissão chave antes de ele começar a gravar a entrevista”.

“Ao encerrar este assunto sem processo, o governo não assume a posição de que o testemunho do tribunal estadual que a mulher deu em 1955 foi verdadeiro ou preciso'', diz a nota. “Permanecem dúvidas consideráveis ​​quanto à credibilidade de sua versão de eventos, o que é contradito por outros que estavam com Till na época, incluindo o relato de uma testemunha viva”.

Emmett Till tinha 14 anos quando foi assassinado pelo ex-marido de Donham, Roy Bryant, e o cunhado, JW Milam, dois homens brancos. Seu corpo seria recuperado do rio Tallahatchie dias após o linchamento. Os responsáveis pelo crime foram julgados por um júri totalmente branco e absolvidos no Mississippi.

A mãe do jovem insistiu que o funeral contasse com um caixão aberto e as fotos do corpo brutalizado foram publicadas pela revista Jet. A morte de Emmett fez com que o movimento pelos direitos civis da população negra dos Estados Unidos se intensificasse. As informações são da BBC e do Estadão.