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88 dias na cadeia: Preso por ter sobrenome igual ao de um traficante, pedreiro negro é solto no RJ

Na última segunda-feira, 14, Sandro dos Santos Castilho, de 44 anos, enfim reencontrou sua família

Fabio Previdelli Publicado em 16/06/2021, às 10h00

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Imagem ilustrativa - Pixabay

Na tarde da última segunda-feira, 14, o pedreiro Sandro dos Santos Castilho, de 44 anos, enfim reencontrou sua família após 88 dias de prisão. Sandro, que é negro, ficou detido injustamente durante todo esse período, segundo o UOL. 

Em 20 de março, ele acabou sendo abordado ao passar por uma blitz em Niterói, onde agentes disseram que um mandato estava aberto em seu nome. O pedreiro, no entanto, possui apenas o sobrenome igual ao do verdadeiro procurado — sendo que eles não têm qualquer grau de parentesco —, que é conhecido por vender drogas.  

"Estou desde o dia 20 de março sem ver meu marido, sem ter contato com ele. Nós estamos juntos há 19 anos, ele é uma ótima pessoa, sempre trabalhou, sempre andou de cabeça erguida", declarou sua esposa, Valéria Costa de Oliveira no dia 1 de junho, quando o pedreiro completava 73 dias detido.  

Após todo esse período, a Justiça do Rio de Janeiro revogou a prisão preventiva de Castilho na sexta-feira da semana passada, 11, sendo que ele foi solto somente na segunda. Conforme informado pelo UOL, seus parentes, que o recepcionaram com festa do lado de fora da prisão, chegaram a juntar cerca de R$8 mil para pagar um advogado.  

Apesar da soltura, Sandro ainda responde ao processo e aguardará seu desenrolar em liberdade. Um fato que ajudou com que ele fosse liberado é que, na audiência de custódia, conforme explica o UOL, testemunhas disseram que suas características físicas não eram semelhantes ao do suspeito, que faz parte de uma quadrilha.