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A idosa submetida a trabalho análogo à escravidão durante 50 anos

Uma vizinha contatou a policia após se deparar com o caso na região de Santos, São Paulo

Redação Publicado em 25/04/2022, às 10h25

Yolanda, 89 anos
Yolanda, 89 anos - Reprodução/ Canal TV Globo

Em reportagem especial do programa “Fantástico”, exibida ontem, 24, o caso deixou os telespectadores inconformados. Yolanda, com 89 anos, foi submetida a mais de 50 anos de trabalhos análogos à escravidão para uma família na região de Santos, litoral do estado de São Paulo.

Yolanda não recebia salários, folgas, além de ser submetida a diversos xingamentos e abusos físicos.

As denúncias vieram através de uma vizinha chamada Zilmara de Souza Dantas, que devido a pandemia, começou a trabalhar em modelo home-office.

Se deparando cada vez mais os abusos que a família fazia com a trabalhadora, entrou com uma denúncia para Polícia Federal em 2020.

De imediato, deu para perceber que era uma pessoa muito mal tratada. Não tinha carteira de trabalho registrada. Estava ali em troca de um prato de comida e da moradia. Contradizendo a versão da patroa de que ali ela era considerada da família", disse Leyner Anache Gomes dos Santos, da Delegacia do Idoso.

A delegada ainda afirmou que a vítima sofria com as condições impostas de trabalho desde a década de 70, quando foi despejada junto de seus dois filhos e marido.

Após a ajuda de Dantas, a neta Viviane foi capaz de encontrar sua avó, que achava já estar morta. 

Só conseguia lembrar da minha mãe. Porque até o último dia da vida dela, ela acreditava que a mãe dela estava viva. Só que ela não teve a oportunidade de poder reencontrá-la", contou Viviane ao Fantástico.

2 anos e ainda não há conclusões e setenças

O Ministério Público do Trabalho pede que a Justiça reconheça o crime nas condições de trabalho da idosa, além de uma indenização no valor de R$ 1 milhão por danos morais.

A defesa de Yolanda também entrou com uma ação trabalhista contra o casal, até que saia uma conclusão jurídica das denúncias.

Até o momento de publicação desta matéria, a família empregadora não quis falar ao “Fantástico” ou qualquer outro veículo sobre as acusações.