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A jovem que quebra silêncio contra monarquia na Tailândia

Rung foi acusada de "sedição", crime que pode levar a sete anos de prisão. No entanto, sua resposta foi firme: "Que venham"

Giovanna de Matteo Publicado em 15/10/2020, às 13h15 - Atualizado às 13h16

Manifestantes em Bangkok, Tailândia
Manifestantes em Bangkok, Tailândia - Divulgação/Twitter

A jovem tailandesa Panusaya Sithijirawattanakul tem 22 anos e foi presa nesta quinta-feira, 15, por enfrentar um tabu quase sacro da Tailândia: a monarquia. O país vive sobre um sistema político militar que começou a passar por conflitos depois que a juventude se organizou para sair às ruas pedindo por democracia. Os protestos já acontecem há vários meses. 

A menina é conhecida como Rung (arco-íris, em tradução livre), e foi detida após o governo promulgar um decreto de emergência em toda região, que pretende reprimir o movimento pró-democracia.

Ela foi detida por liderar o protesto que aconteceu quarta-feira, 14, onde milhares de manifestantes se reuniram no centro da capital tailandesa, em Bangkok.

Rung é estudante de sociologia e antropologia e decidiu se manifestar em 10 de agosto. Diante de uma multidão de jovens numa universidade da capital, ela subiu no palanque para proclamar dez pontos para a reforma do governo monárquico de seu país. E isso foi motivo de perseguição para ela. 

No país onde a instituição real é sagrada e protegida por autoritarismos, ninguém nunca teve a mesma coragem que Rung.  A pena contra difamações, insultos ou ameaças contra o rei Maha Vajiralongkorn, Rama X, e a família real pode chegar até quinze anos de prisão. Mas isso não parou a jovem: "estava disposta a correr o risco, senti que fazer isso era o meu dever", disse ela.

Antes de ser presa, Rung foi acusada de "sedição", crime que pode levar a sete anos de prisão. Mas sua resposta foi determinada: "Que venham". Para ela, a monarquia precisa ser adpatada e modernizada.