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Abuso e tortura: testemunho de um ex-mensageiro da Al Qaeda em prisão americana

Majid Khan confessou-se culpado de estar envolvido no 11 de setembro, mas, revelou mais sobre sua prisão em Guantánamo

Pedro Paulo Furlan, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 30/10/2021, às 14h30

Campo Delta na prisão de Guantánamo
Campo Delta na prisão de Guantánamo - Wikimedia Commons

Condenado a 26 anos de prisão na última sexta-feira, 30, Majid Khan, ex-mensageiro da Al Qaeda e envolvido nos ataques de 11 de setembro de 2001, é o primeiro preso de ‘alto valor’ da CIA que foi autorizado a testemunhar sobre o que ocorria dentro de Guantánamo.

O órgão de inteligência do governo estadunidense chama o processo de questionamento de presos de guerra de “interrogatório intensificado”, mas antes de Khan ninguém nunca havia descrito o que acontece durante estas sessões. 

Durante seu julgamento, o ex-mensageiro contou sobre os abusos e as diversas torturas que sofreu na prisão, lendo um comunicado de 39 páginas ao tribunal — detalhando as supostas técnicas utilizadas pela CIA em seu caso.

Afirmando ter sofrido afogamentos, enemas forçados, espancamentos, além de ter sido pendurado nu em uma viga de teto por longos períodos, Majid Khan contou ao júri tudo que se passou durante os 19 anos em que ficou sob ‘custódia’ dos Estados Unidos. 

O prisioneiro descreveu que isso tudo aconteceu mesmo com ele cooperando e contando tudo o que sabia.

Segundo Khan, em seu depoimento, “Quanto mais eu cooperava e contava a eles, mais era torturado”. As informações são do portal G1.

Com base em um acordo que havia sido feito anteriormente, Majid Khan pode ser libertado no começo do ano que vem, 2022, e realocado em outro país, independentemente de sua sentença de 26 anos.