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Afegão que trabalhou ao lado de soldados dos EUA é condenado à morte

A sentença foi definida pelo Talibã, grupo fundamentalista que continua contrário à colaboração entre afegãos e norte-americanos

Ingredi Brunato, sob supervisão de Pamela Malva Publicado em 23/08/2021, às 18h00

Talibãs em 2002
Talibãs em 2002 - Getty Images

No Afeganistão, um homem foi condenado à morte depois de ajudar o próprio irmão, que era um tradutor e servia de intermediário entre soldados norte-americanos e  representantes afegãos. O caso foi revelado pela CNN nesta segunda-feira, 23. 

O veículo teve acesso às cartas que o Talibã enviou ao homem condenado. Nelas, o grupo fundamentalista afirma que ele é “acusado de ajudar os americanos” e “de fornecer segurança a seu irmão, que era intérprete”.

Na primeira correspondência, o afegão ainda é intimado a comparecer a uma audiência. Uma segunda mensagem afirma que ele não foi ao compromisso, enquanto uma terceira e última notificação o informa de que ele foi sentenciado à morte, dado que não interrompeu “sua servidão aos cruzados invasores”. 

Essas decisões judiciais são finais e você não terá o direito de se opor. Você escolheu este caminho para si mesmo e sua morte é iminente, se Deus quiser”, diz o aviso final, que é datilografado, diferente dos dois primeiros, que foram escritos à mão. 

A informação chegou à CNN através do ex-militar e tradutor que colaborou com os Estados Unidos, o irmão do homem cuja segurança está sendo ameaçada pelo Talibã. Esses acontecimentos, segundo aponta o veículo, infelizmente contradizem a imagem de moderação que o grupo procurou transmitir ao mundo após assumir o poder do país.