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Água 'perdida' de Marte pode estar escondida embaixo do solo

Possibilidade foi explicada em estudo recente; saiba mais!

Fabio Previdelli Publicado em 15/12/2021, às 11h47

Imagem ilustrativa
Imagem ilustrativa - Pixabay

Em 2006, a NASA divulgou a primeira evidência de que existiu água em Marte. Na época, a agência espacial americana publicou fotos de duas crateras, chamadas Terra Sirenum e Centauri Montes, que parecem mostrar a presença de água líquida no Planeta Vermelho. 

Já em 31 de julho de 2008, a sonda Phoenix Mars da NASA confirmou a presença de água congelada em Marte, que contém os mesmos elementos da água que temos na Terra e não uma outra forma de gelo, formado por outro tipo de substância.

O planeta também apresenta vários vales antigos e secos, além de canais de rios que há muito apontam para a possibilidade de água líquida ter fluído por lá. Atualmente, o rover Perseverance da NASA está explorando a cratera de Jezero, que era um lago cheio de água há cerca de 3,5 bilhões de anos atrás.

Echus Chasma, sistema de cânion em Marte onde pode ter existido água/ Crédito: Getty Images

 

Mas para onde foi todo esse material? Em recente estudo publicado na revista Icarus, pesquisadores da Universidade de Binghamton sugerem que grande parte dela pode estar escondida a apenas alguns quilômetros abaixo do solo marciano. 

Até há pouco tempo, muitas pessoas, inclusive eu mesmo, assumiam que a água que existiu anteriormente em Marte estava agora presente em forma de gelo armazenado nas calotas polares e como gelo subterrâneo", disse David Jenkins, professor de Ciências Geológicas e Estudos Ambientais da Universidade de Binghamton.

De acordo com o estudo, porém, a água pode estar presa dentro de minerais de argila situados a cerca de 30 quilômetros embaixo da superfície. Chamado de esmectita, o mineral rico em ferro também é encontrado na Terra e se forma a partir de uma reação específica entre a rocha e a água.

A análise se deu através de informações coletadas por satélites que orbitam ao redor do planeta durante os últimos anos. Esses dados apontam que nem a quantidade de gelo existente no planeta e tampouco a perda de vapor são suficientes para explicar o desaparecimento da água. 

"Uma vez que vimos que a esmectita de ferro ferroso, a sua forma menos estável termicamente, era estável até temperaturas de aproximadamente 600 °C a 30 quilômetros de profundidade, ficou claro que a esmectita na realidade, poderia ser um importante depósito da ‘água que falta’ em Marte", completa Jenkins.

Superfície do planeta vermelho / Crédito: Getty Images

 

Entretanto, apesar das suspeitas, a teoria do pesquisador não pode ser comprovada, já que ainda não existe nenhum equipamento capaz de perfurar o solo do Planeta Vermelho em grandes profundidades.

"A questão mais difícil, a da quantidade total de minerais argilosos na superfície ou próximo da superfície de Marte, ainda não foi determinada com a precisão necessária para confirmar realmente que os minerais argilosos podem ser o principal depósito de água em Marte", lamentou o pesquisador.