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Águia extinta tinha táticas viscerais de caça, diz estudo

Segundo os pesquisadores, a extinta Águia-de-Haast é considerada a maior águia da história

Fabio Previdelli Publicado em 02/12/2021, às 16h00

Ilustração da Águia-de-Haast
Ilustração da Águia-de-Haast - Divulgação/ Katrina kenny

Com uma envergadura com cerca de três metros e garras que podiam alcançar até dez centímetros, a Águia-de-Haast foi a maior águia conhecida do mundo quando sobrevoou os céus da Nova Zelândia há 800 anos.

Apesar de estar extinta hoje em dia, especialistas seguem descobrindo características da ave. Em recente estudo publicado no Proceedings of the Royal Society B., pesquisadores do Museu de Canterbury descreveram que a águia se banqueteava como um abutre. 

Acontece que, ao capturar suas presas, o enorme pássaro cortava sua carcaça e enfiava sua a cabeça bem no fundo, antes de devorar os órgãos internos de suas vítimas.

"Quando imaginamos uma águia-de-Haast se alimentando, podemos imaginá-los descendo sobre uma moa, agarrando-se com aquelas garras enormes e usando seu bico poderoso para desferir o golpe mortal", explica dr. Paul Scofield, um dos autores da pesquisa. 

Depois que a moa descia, a águia ia direto para a parte de trás do crânio e para as entranhas e outros órgãos moles", completa.

Além do mais, na pesquisa, a equipe comparou o bico e as garras da ave com a de outros cinco pássaros. Desta maneira, descobriu-se que seu maxilar era parecido com a de uma águia normal, mas seu neurocrânio — parte do crânio que envolve o encéfalo e as meninges cranianas — era semelhante a do Condor Andino, conhecido por se alimentar dos órgãos internos moles de uma carcaça.

“A maioria das águias caça presas menores do que elas, mas a Águia-de-Haast estava atrás de moa que poderia pesar até 200 quilos — mais de 13 vezes seu próprio peso corporal”, diz Scofield.

”Os condores também costumam comer animais muito maiores do que eles, então faz sentido que tenham hábitos alimentares semelhantes”, conclui o pesquisador.