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Alucinógeno do ‘cogumelo mágico’ pode tratar depressão, aponta pesquisa

Estudo, que ainda carece de revisão, foi realizado pela farmacêutica Compass Pathways

Pedro Paulo Furlan, sob supervisão de Fabio Previdelli Publicado em 11/11/2021, às 15h34

Cogumelos da espécie Psilocybe cubensis, o 'cogumelo mágico'
Cogumelos da espécie Psilocybe cubensis, o 'cogumelo mágico' - Allan Rockefeller (Mushroom Observer) via Wikimedia Commons

Na última terça-feira, 9, a empresa farmacêutica Compass Pathways divulgou uma série de testes que foram feitos em 233 participantes, experimentando a eficiência da psilocibina, componente alucinógeno do ‘cogumelo mágico’, no tratamento da depressão — o que revelou resultados promissores e complexos.

Descrito como o maior estudo já feito nesta área, os testes foram organizados em dez países da América do Norte e Europa, dividindo os ‘pacientes’ em três grupos e fornecendo doses diferentes da substância, junto a acompanhamento psicológico.

Dentro do estudo sobre a psilocibina, havia pessoas com níveis diversos de depressão, variando de tipos clínicos leves a moderados. 25 miligramas, 10 miligramas e 1 miligrama diárias, estas foram as quantidades oferecidas a cada um dos grupos na pesquisa, que foram acompanhados proximamente para descobrir quais os impactos da psilocibina em cada dose. As informações são do portal de notícias científicas LiveScience.

Enquanto as pessoas que tomaram os 25 miligramas relataram melhora, com cerca de 29% passando por remissão dos seus sintomas, através de influências duradouras do medicamento; menos de dez por cento do grupo de 10 miligramas relatou algo parecido.

A dose mais baixa funcionou efetivamente como um placebo, o que significa que serviu como um ponto de comparação para os tratamentos de dose mais alta — são testes como este que permitem a definição da dosagem de medicamentos antidepressivos.

Atualmente, no entanto, os resultados do estudo não foram divulgados em revistas científicas ou completamente oferecidos ao público, faltando a revisão de outros especialistas da área para definirem os impactos da psilocibina na indústria farmacêutica.

“O estudo é muito promissor, entretanto, ainda temos muito dos dados detalhados que está faltando”, afirmou Boris Heifets, um neurocientista da Universidade de Stanford, que não fez parte da pesquisa, mas está acompanhando seus resultados.