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Análise de DNA revela que animal o Rei Hans pretendia usar para conseguir o trono sueco em 1495

Restos foram encontrados na dispensa de navio naufragado no Mar Báltico

Ingredi Brunato Publicado em 27/08/2020, às 13h41

Representação artística de esturjão, espécie em extinção atualmente.
Representação artística de esturjão, espécie em extinção atualmente. - Wikimedia Commons

Cientistas suecos divulgaram recentemente que descobriram o que havia na despensa de do navio naufragado em 1495 do Rei Hans, da Dinamarca: um peixe de dois metros conhecido como esturjão. 

Isso porque, naquele verão, o rei dinamarquês pretendia partir em viagem para reivindicar o trono sueco, e o esturjão era seu grande trunfo. Outros bens reais estavam também presentes no navio, tudo com objetivo de demonstrar o poder e grandeza da coroa dinamarquesa. 

“O esturjão da dispensa do Rei era uma ferramenta de propaganda, assim como todo o navio. Tudo naquele navio tinha uma função política, o que é outro elemento que torna esta descoberta particularmente interessante”, disse Brendan P. Foley, arqueólogo marinho na Universidade de Lund e coordenador do projeto para as escavações.

Porém, ocorreu um incêndio onde o navio estava aportado, que o fez naufragar levando a tripulação e a carga consigo para o fundo do Mar Báltico — mas não o rei, que não estava a bordo naquela noite. 

Ele permaneceu no fundo do mar até que foi encontrado no ano passado, incrivelmente preservado por conta da natureza única do fundo do Mar Báltico. Ele possui baixa salinidade, e não conta com a presença nem de oxigênio nem de vermes, tudo contribuindo para um ambiente pouco corrosivo. 

Foi dentro de um barril que os pesquisadores encontraram os restos do esturjão, que ainda era reconhecível por conta das escamas preservadas. Após as análises de DNA recentes, eles puderam identificar que o peixe vinha do oceano atlântico. 

"Para mim, isso foi um vislumbre de como era o Mar Báltico antes de interferirmos nele. Agora sabemos que o esturjão do Atlântico provavelmente fazia parte do ecossistema. Acho que pode haver um grande potencial no uso de DNA subaquático dessa forma para poder recriar a aparência anterior ", comentou Maria C. Hansson, bióloga molecular da Lund University, e a pesquisadora que realizou a análise de DNA.