Notícias » Arqueologia

Análises revelam composição do casco do navio Mary Rose, o favorito de Henrique VIII

Arqueólogos afirmaram que a população do século 16 já desfrutava de técnicas avançadas para o período

Nicoli Raveli Publicado em 29/04/2020, às 08h00

Restos do navio Mary Rose
Restos do navio Mary Rose - Divulgação

Através de análises, cientistas da Universidade de Warwick e Ghent, na Inglaterra, revelaram novidades que envolvem os restos do navio de guerra Mary Rose, o preferido do monarca Henrique VIII

A partir do estudo, os especialistas alegaram que o casco da embarcação foi fabricado através da mistura de 73% de cobre com 27% de zinco. Para o professor emérito Mark Dowsett, do Departamento de Física da Universidade de Warwick, os resultados indicam que na dinastia Tudor, a produção de metais era razoavelmente controlada e técnicas como o entrelaçamento eram bem desenvolvidas.

“O bronze foi importado de Ardennes e também fabricado em Isleworth. Fiquei surpreso com o conteúdo consistente de zinco entre os arames e os planos. É uma composição de liga bastante moderna”, afirmou Dowsett. 

Sobras do navio Mary Rose, de Henrique VIII / Crédito: Divulgação 

 

A análise também revelou vestígios de metais pesados, como chumbo e ouro, na superfície. "Os traços de metal pesado são interessantes porque não parecem fazer parte da liga, mas embutidos na superfície. Uma possibilidade é que eles tenham sido simplesmente captados durante o processo de produção a partir de ferramentas usadas para trabalhar chumbo e ouro”.

O navio do monarca

Segundo os historiadores, Mary Rose foi um dos primeiros navios de guerra de Henrique VIII. Entretanto, a embarcação foi afundada no canal de Solent em 1545, durante uma atalha contra os franceses.

Ilustração do navio Mary Rose, do século 16 / Crédito: Divulgação 

 

Devido ao lodo presente no mar, parte dos restos mortais da embarcação foram preservados, o que permitiu, posteriormente, o estudo sobre a relíquia.

Em 1982, a parte que restou do casco foi tirada do mar e transportada para Portsmouth, no Museu Mary Rose. Desde então, três restos passaram por tratamentos diferentes, a fim de evitar uma futura corrosão. "A análise mostra que medidas básicas para remover o cloro, seguidas pelo armazenamento em temperatura e umidade reduzidas, formam uma estratégia eficaz mesmo em 30 anos", explicou Dowsett.

O professor Mieke Adriaens, diretor da equipe de eletroquímica e análise de superfície da Universidade de Ghent, afirmou que é fascinante examinar a tecnologia antiga usando métodos analíticos especialmente desenvolvidos que também podem ser aplicados aos materiais modernos.