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Anotação secreta é descoberta em sapato de criança morta em Auschwitz

A mensagem, feita à mão, revela parte da triste história de um garotinho de 6 anos

Vanessa Centamori Publicado em 07/08/2020, às 09h25

Calçado de criança morta em Auschwitz
Calçado de criança morta em Auschwitz - Divulgação/Museu de Auschwitz

Especialistas do Museu de Auschwitz faziam reparos no acervo de sapatos de prisioneiros de um antigo campo de concentração na Polônia ocupada pelos nazistas, quando encontraram um bilhete escondido dentro de um calçado infantil. As informações são do site History. 

A mensagem, feita à mão, continha o nome e o sobrenome da criança e o número dela na lista de transporte de prisioneiros (Ba 541). Tratava-se de Amos Steinberg, de apenas 6 anos de idade, que foi levado em 10 de agosto de 1942, junto com os pais, Ludwig e Ida, até o Gueto Theresienstadt.

Sapato de criança de Auschwitz / Crédito: Divulgação/Museu de Auschwitz

 

Depois, em 4 de outubro de 1944, mãe e filho foram deportados até Auschwitz. Segundo informou Hanna Kubik, do Museu de Auschwitz, provavelmente ambos faleceram na câmara de gás, logo após um processo de seleção. "Podemos presumir que ela provavelmente fez questão que o sapato de seu filho fosse identificado", apontou Kubik. 

Ainda segundo a especialista, o pai da família foi deportado em outra viagem. "Sabemos que ele foi transferido de Auschwitz para Dachau em 10 de outubro de 1944. Ele foi libertado no subcampo de Kaufering", contou. 

Documentos encontrados pelo museu / Crédito: Divulgação/Museu de Auschwitz

 

Além de descobrirem a história do pequeno Amos Steinberg, os pesquisadores encontraram também documentos em húngaro em outro calçado de criança. Neles, estavam nomes como Ackermann, Brávermann e Beinhorn, provavelmente deportados para Auschwitz em 1944 durante o extermínio de judeus húngaros.

Descobertas anteriores de jornais e papéis já tinham sido feitas, geralmente porque esses itens eram usados como forro nos calçados. No entanto, os úlimos achados ganham destaque. "Essa descoberta é preciosa e interessante, pois os documentos foram preservados em boas condições e contêm datas, nomes das pessoas envolvidas e legendas manuscritas", explicou Kubik.