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Anotações de egiptólogo do século 19 podem ajudar a decifrar a antiga Pedra de Roseta

As anotações são do britânico Thomas Young, que trabalhou para desvendar o enigmático texto de 196 a.C

Vanessa Centamori Publicado em 26/08/2020, às 16h06

Anotações do egiptólogo britânico Thomas Young
Anotações do egiptólogo britânico Thomas Young - Divulgação/Jed Buchwald/Instituto de Tecnologia da Califórnia

A Pedra de Roseta data de 196 a.C, mais precisamente, do Egito Ptolemaico. É um achado e tanto, que ainda guarda alguns segredos. Agora, seus escritos podem ficar mais fáceis de serem decifrados graças à uma outra descoberta talvez tão incrível quanto: a identificação de anotações do século 19, do egiptólogo e médico Thomas Young. 

O indivíduo notável registrou em seus rascunhos métodos de traduzir a Pedra de Roseta. As informações são do jornal britânico The Guardian, que conta que Young  participava de uma espécie de corrida em busca dos segredos da pedra, tendo como principal rival o historiador Jean-François Champollion. 

Após a morte de Young, em 1829, as suas anotações foram doadas há 200 anos, junto de vários papéis, por sua viúva, Eliza Maxwell. As notas estão armazenadas agora na Biblioteca Britânica, que fica em Londres, e é uma das maiores do mundo. Quem identificou os documentos foi Jed Buchwald, professor de história do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech).

A Pedra de Roseta / Crédito: Wikimedia Commons 

 

“Fiquei surpreso (...)", contou Buchwald, ao The Guardian. "Eu pensei, como é possível que ninguém tenha escrito ou usado este material? Eu sabia que sua esposa havia entregado coisas. Eu esperava apenas encontrar algumas cartas. Mas não esperava encontrar notas tão extensas", relatou. 

Ainda segundo o especialista, alguns estudiosos anteriores já tinham visto o material, mas não se aprofundaram em seu significado. Mas, foi ele quem descobriu que Young teria tentado desvendar os caracteres da pedra como se fosse um problema matemático. 

A Pedra de Roseta contém três modalidades de escrita: hieróglifos, o sistema de escrita formal; demótico, a escrita egípcia do cotidiano; e o grego antigo, que foi utilizado quando os governantes do Egito se misturaram com greco-macedônios após a conquista de Alexandre, o Grande. A principal hipótese de tradução é que o texto afirma o culto real do faraó Ptolomeu V, de 13 anos, no seu primeiro aniversário de coroação, em 196 A.C.