Busca
Facebook Aventuras na HistóriaTwitter Aventuras na HistóriaInstagram Aventuras na HistóriaYoutube Aventuras na HistóriaTiktok Aventuras na HistóriaSpotify Aventuras na História
Notícias / Paleontologia

Antigos ossos de preguiça-gigante são catalogados em São Paulo

Ossos de três espécies de preguiças-gigantes descobertos no estado de São Paulo foram catalogados recentemente; confira!

Ossos e ilustração de antiga espécie de preguiça-gigante - Divulgação/Governo de São Paulo
Ossos e ilustração de antiga espécie de preguiça-gigante - Divulgação/Governo de São Paulo

Datados de 10 mil anos atrás, ossos em perfeito estado de uma preguiça-gigante da espécie Catonyx cuvieri foram catalogados por pesquisadores do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. Os ossos, encontrados em 1999 no Abismo Iguatemi, no Vale do Ribeira de Iguape, ao sul do estado de São Paulo, foram achados praticamente em perfeito estado.

A descoberta foi divulgada na última segunda-feira, 20, pelo portal do Governo do Estado de São Paulo, e fornece novos dados sobre a anatomia da espécie, além de como era a região durante o Pleistoceno. Os dados descritos foram publicados anteriormente na revista Open Journal Systems.

Conforme descrito pela Revista Galileu, foram encontrados o úmero completo (osso do braço) do animal, um rádio (do antebraço) e uma falange intermediária (do dedo). Há mais de duas décadas, os ossos estavam no acervo do Laboratório de Paleontologia Sistemática do Instituto de Geociências da USP.

Este espécime se tratava de um jovem adulto no momento de sua morte, saudável e robusto, que caiu e ficou preso no Abismo Iguatemi. Vale mencionar que preguiças C. cuvieri habitou parte do leste da América do Sul, incluindo regiões onde hoje estão o Brasil e o Uruguai, e que, por conta do tamanho, não viviam em árvores como seus parentes contemporâneos.

Há hipóteses de que nos últimos 14 mil anos já houvesse floresta na região, porém se ela estivesse consolidada dificilmente esses animais a habitavam", pontua Artur Chahud, pesquisador do Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos (LEEH) do IB e autor do artigo. "O que dá a entender que o bioma estaria em fase transicional de floresta com o Cerrado, favorecendo a entrada desses animais maiores, que se alimentam de vegetações típicas do Cerrado".

O pesquisador também explicou ao portal do Governo do Estado de São Paulo que a conservação dos ossos se deve principalmente ao local em que o animal morreu: "O Abismo Iguatemi é uma caverna vertical. Ele (o animal) caiu, mas ficou muito protegido, apesar de não estar inteiro. É um abismo que favoreceu a preservação das peças".

Outras preguiças

Além da Catonyx cuvieri, os pesquisadores também descobriram ossos de outras duas espécies de preguiças-gigantes no estado de São Paulo, que agora estão sendo descritas, mas ainda não foram publicadas oficialmente: uma Nothrotherium sp e outra do gênero Eremotherium, ambas encontradas no Abismo Ponta de Flecha.

+ Do que se alimentavam as preguiças-gigantes do passado?

O indivíduo da família Nothrotherium, descoberto em 1980, chamou atenção por ser de um grupo de preguiças-gigantes mais comuns na atual Argentina, sendo este o primeiro indivíduo da espécie encontrado no Brasil. "Imagine a nossa surpresa ao pegarmos o material e encontrar uma preguiça que só existia na Argentina e que nunca tinha sido vista aqui, guardada em uma gaveta por tantos anos", diz Chahud.

Os pesquisadores acreditam que este animal teria vivido entre o Pleistoceno e o Holoceno na região, e teria morrido enquanto um jovem adulto, com 2 metros de altura. Porém, o tamanho do Eremotherium impressiona ainda mais, podendo medir até cerca de 4 metros de altura; mas o indivíduo descoberto ainda estava em fase de crescimento.