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Aplicativo indiano que ‘leiloava’ mulheres muçulmanas é retirado do ar

As fotos de 100 mulheres as colocavam em “promoção” no aplicativo de código aberto Bulli Bai, alvo de investigação na Índia

Isabela Barreiros Publicado em 03/01/2022, às 10h16

Imagem ilustrativa de celular
Imagem ilustrativa de celular - Divulgação/Pixabay/PxHere

O aplicativo indiano de código aberto Bulli Bai foi retirado do ar da plataforma da web GitHub por compartilhar fotos de mais de 100 mulheres muçulmanas com uma descrição que dizia que elas estavam em “promoção”.

O fechamento ocorreu após as polícias de dois estados indianos registrarem casos envolvendo imagens que estavam no aplicativo. As autoridades de Mumbai estão investigando o site.

É a segunda vez em meses que mulheres muçulmanas são alvos de tentativa de assédio na Índia. Em julho do ano passado, aplicativo e site Sulli Deals fez algo parecido ao criar perfis de mais de 80 mulheres e as descrever como “ofertas do dia”.

Segundo a BBC News, em ambos os casos, não ocorre nenhuma venda de mulheres; o intuito dos sites é degradar as pessoas cujas fotografias pessoais são compartilhadas na plataforma sem autorização e em contexto degradante.

O nome do aplicativo também revela o objetivo dos seus desenvolvedores: “Sulli” é uma palavra usada na internet por hindus de direita para designar mulheres muçulmanas, e o mesmo tom ocorre com “bulli”.

Embora o caso tenha chamado a atenção até mesmo internacionalmente, ainda não ocorreu nenhuma prisão sobre o caso Sulli Deals, que inclui fotos de jornalistas, ativistas, uma atriz de Bollywood, entre outras mulheres.

Sendo uma das vítimas do aplicativo, a jornalista Ismat Ara entrou com uma queixa policial sob alegação de assédio moral e promoção de inimizade com base na religião. À Al Jazeera, ela afirmou que o fato da investigação não ter frutos é “decepcionante”.

"É realmente decepcionante ver a impunidade com que tais criadores de ódio continuam a visar as mulheres muçulmanas, sem medo de qualquer sanção", disse.