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Apollo 11: A maior de todas as aventuras

Completando 49 anos hoje, a viagem à Lua esteve perto de acabar em tragédia

quinta 12 julho, 2018
Lançamento da Apollo 11, em 16 de julho de 1969
Lançamento da Apollo 11, em 16 de julho de 1969 Foto:Reprodução

O módulo lunar Eagle ("Águia") está 1000 metros acima da superfície e tem mais 5 minutos de combustível. Dentro da cabine, os astronautas Neil Armstrong e Edwin Aldrin estão às voltas com o alarme do computador de bordo. Responsável por conduzir automaticamente a descida, a máquina apita incessantemente, indicando sobrecarga. Abaixo, a paisagem, que deveria ser uma planície, está coalhada de elevações e crateras. Se àquela velocidade a nave tocar na borda de uma delas ou pousar de lado, a volta para casa estará comprometida. A 150 metros de altitude, Armstrong desiste do piloto automático, desliga o computador e, com os batimentos cardíacos ultrapassando os 150 por minuto, resolve conduzir o módulo como se fosse um helicóptero. O tempo previsto para o pouso era de 14 minutos. Em Houston, Texas, na base da missão Apollo 11, os técnicos prendem a respiração. Faltando 20 segundos para que o combustível dos foguetes de descida se esgotem, Armstrong anuncia: "A Águia pousou". Instantes depois, chega a resposta: "Ok, recebemos sua mensagem. Vocês deixaram um punhado de rapazes quase azuis por aqui. Estamos respirando de novo". Assim começava, em 20 de julho de 1969, a primeira visita do homem à Lua.

Essa viagem começou oito anos antes, com um discurso do presidente John Kennedy (1917-1963). O país estava às voltas com a Guerra Fria e a União Soviética liderava a corrida espacial quando Kennedy prometeu que os Estados Unidos seriam os primeiros a enviar uma missão à Lua.

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O Projeto Apollo chegou a 16 de julho de 1969 pronto para lançar o foguete mais poderoso construído até então. Na ponta do Saturno V estavam a cápsula com o módulo de comando e serviço e o módulo lunar. A bordo, Armstrong, Aldrin e Michael Collins. Às 9h32, horário da Flórida, a Apollo 11 decolou do Centro Espacial Kennedy. Sentados sobre toneladas de combustível, os três arrancaram a 28800 quilômetros por hora.

Armstrong, Aldrin e Michael Collins em um photoshoot feito pela NASA Wikimedia Commons

Em 12 minutos a Apollo 11 estava em condições de orbitar. O desafio agora era aproveitar o movimento de rotação terrestre e o disparo do terceiro estágio de motores para atingir 40 mil quilômetros por hora e mergulhar no vácuo para percorrer os 384 mil quilômetros que separavam a missão de seu objetivo. Não se tratava, contudo, de uma viagem em linha reta. Os astronautas precisavam calcular onde a Lua estaria em três dias, quando os motores de desaceleração seriam ativados. Além disso, a velocidade inicial não seria constante, uma vez que a gravidade da Terra roubaria energia da nave até metade do caminho. Um erro nos cálculos e a Apollo poderia se chocar com o satélite ou passar longe e se perder no espaço profundo.

Retorno ameaçado

Ao fim do terceiro dia de viagem, os três foram acordados pela base em Houston. A monotonia da travessia, só quebrada durante as refeições com alimentos desidratados, seria substituída por momentos perigosos. O primeiro passo era estabelecer uma órbita ao redor da Lua a uma altitude de 112 quilômetros. Feito isso, os astronautas se separariam. A bordo do módulo de comando, Collins seguiria na posição inicial, enquanto Armstrong e Aldrin deveriam descer pilotando o módulo lunar. Qualquer erro seria fatal.

De acordo com Jack Garman, o engenheiro que orientou os astronautas a ignorar os alarmes do computador da Eagle durante a descida, a capacidade do equipamento era comparável ao processador de um telefone celular atual. Em Houston, o mainframe que ocupava um andar inteiro não era muito mais eficiente que um laptop. Isso talvez explique por que o módulo lunar foi parar sobre uma formação rochosa, quando deveria sobrevoar o mar da Tranquilidade. Mas esse não era o único problema que ameaçava o retorno. Testes prévios indicavam que o motor de decolagem do módulo a partir da superfície lunar tinha 50% de chances de falhar.

No verão de 1609, o físico italiano Galileu Galilei (1564-1642) fabricou seu próprio telescópio. Depois de meses de observações com ele, publicou o livreto Sidereus Nuncius ("Mensageiro das Estrelas"), que descrevia a lua terrestre. Feito isso, preparou uma grande demonstração. Os convidados que viram o céu através do aparelho constataram aquilo que o físico anunciava no livreto: a superfície da Lua não era lisa nem brilhante. Em seu relevo pululavam crateras e imperfeições. Enfim, a Lua era bem mais feia do que se pensava. Dias antes da experiência, o astrônomo alemão Johannes Kepler (1571-1630) escrevera ao colega italiano: "Quando tivermos dominado a arte do voo, não haverá falta de pioneiros humanos para a viagem ao espaço". Galileu não viveu para comparar seu desenho da superfície lunar às fotos das sondas espaciais. Mas seus trabalhos foram fundamentais para viabilizar a viagem da Apollo 11 Wikimedia Commons

Os riscos eram tão grandes que o presidente Richard Nixon tinha um discurso pronto: "A fatalidade determinou que aqueles homens que foram para a Lua explorá-la em paz permaneçam na Lua para descansar em paz". Felizmente, a sorte e a perícia dos astronautas determinaram que o pouso fosse bem-sucedido e o dia 20 de julho de 1969, um domingo, entrasse para a História.

Cinco horas e meia após a alunissagem, Armstrong abriu a escotilha e desceu as escadas até tocar o solo lunar. Na Terra, 700 mil telespectadores acompanhavam tudo, graças a uma câmera instalada numa das pernas do módulo. Ao dar seu primeiro passo, o ex-piloto de caças, que vira a morte de perto durante a Guerra da Coreia, proferiu a famosa frase: "É um pequeno passo para um homem, um gigantesco salto para a humanidade". Diante da audiência planetária, ele se deslocava com os 81,7 quilos do traje e da mochila como se fosse um menino. Na superfície lunar, esse peso caía para 13,6 quilos, já que a gravidade ali equivale a um sexto da terrestre. Quinze minutos depois, foi a vez de Aldrin se juntar a Armstrong com uma frase curiosa. "Magnífica desolação", disse, ao deparar com a vastidão granulada e cinzenta. Por duas horas, os dois recolheram 21 quilos de amostras do solo. Exaustos, voltaram ao módulo para dormir e preparar o retorno. Após 22 horas na Lua, era hora de voltar para casa.

Queda no mar

Enquanto a Eagle era deixada orbitando a Lua, onde cairia semanas depois, os três astronautas, mais uma vez reunidos, ligavam o motor do módulo de comando. Em Houston, os controladores de voo teriam três dias de preparação para a reentrada na atmosfera - que prometia novas emoções, já que um ângulo errado significaria a incineração da nave. Durante 4 minutos, devido ao calor intenso, as comunicações tornavam-se impossíveis. Mas, na manhã de 24 de julho, a nave caía em segurança, amparada por três para-quedas, no meio do oceano Pacífico.

A um custo total de 100 bilhões de dólares, a Nasa ainda enviaria outras seis missões tripuladas à Lua antes de encerrar o Projeto Apollo, em 1972. Nenhuma delas superaria o encanto, a emoção e o ímpeto quase irracional que levou os primeiros seres humanos a pisar na superfície prateada de nosso satélite. Com eles, o espaço se tornava verdadeiramente a última fronteira.

Gerigonça espacial 

A estranha máquina que levou o homem até a Lua

O americano Neil Armstrong tornou-se o primeiro homem a pisar na Lua. A parte final da viagem, e de todas as “alunissagens” seguintes, foi feita a bordo de uma máquina esquisita, o Módulo de Exploração Lunar Eagle ("Falcão"). Levando dois astronautas a bordo, ele se destacou da nave-mãe, a Apollo 11, que continuou orbitando a Lua, e desceu até o satélite. Tinha quase 7 metros de altura, mais de 15 toneladas e um espaço de apenas 2,35 metros de diâmetro para abrigar os pilotos. Sua metade inferior foi deixada na Lua quando os tripulantes partiram, rumo a nave-mãe e de volta, vitoriosos, à Terra. Abaixo você confere mais informações sobre o Módulo lunar que levou o homem até a lua.

 

Confira os detalhes do módulo lunar Eagle:

Joelho de aço

 

Quatro pernas retráteis (que ficaram recolhidas durante o vôo) foram projetadas para dar apoio ao módulo mesmo sobre terrenos irregulares, com inclinação de até 12 graus. Podiam suportar o impacto de um pouso vertical em velocidades de até 10 km/h

Painel de controle

 

Concentrava os instrumentos usados para comandar a nave. Ao aproximar-se da Lua, o piloto Edwin Aldrin manteve contato com o Centro de Controle, na Terra, que fornecia informações para a pilotagem

Gasolina azul

 

Dois tanques armazenavam uma mistura de hidrogênio e nitrogênio, a Aerozine 50. O excassez de combustível era um dos principais perigos da missão, pois permitia uma viagem de pouco mais que a distância de ida e volta da nave até a Lua, ou 260 quilômetros

Presilha

 

Esta escotilha prendia o módulo à frente da nave-mãe. Os astronautas passavam por ela para entrar no equipamento antes da descida até a Lua, e para voltar à Apollo 11 após a missão

Para baixo e avante!

 

Dois motores, um de subida e outro de descida, levaram o módulo até a Lua e o tiraram de lá. O motor para pouso no satélite foi projetado para ser controlado minunciosamente, assegurando um pouso suave. Também poderia funcionar como motor de emergência quando acoplado à nave-mãe, caso este entrasse em pane

Márcio Sampaio de Castro e Roberto Navarro


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