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Após 13 anos de tutela abusiva, pai de Britney Spears desiste do controle da vida da cantora

Britney manifestou publicamente o seu desejo de ver o pai longe do controle de sua vida profissional e pessoal

Redação Publicado em 07/09/2021, às 21h31 - Atualizado às 21h43

Britney Spears em 2018
Britney Spears em 2018 - Getty Images

Após 13 anos de controle pessoal e profissional, Britney Spears viu uma vitória. Manifestando publicamente o desejo de ver o pai longe da tutela, James Spears entrou oficialmente nesta terça-feira, 7, com uma petição em que desiste dos direcionamentos da vida de Britney.

Conforme revelado pela Associated Press, a petição foi enviada para o Tribunal Superior de Los Angeles. Através do documento, o pai da eterna princesinha do pop diz que tudo que quer é ‘o melhor para sua filha’.

“Como o Sr. Spears disse várias vezes, tudo o que ele quer é o melhor para sua filha”, explica o documento. “Se a Sra. Spears deseja encerrar a tutela e acredita que pode cuidar da própria vida, o Sr. Spears acredita que ela deveria ter essa chance.”

No entanto, para o pedido ser oficializado, a juíza Brenda Penny, responsável pelo caso, precisa dar seu aval a James Spears, que desde 2019 tem o controle das finanças da artista. Sabe-se que anteriormente, ele chegou a pedir um total de 2 milhões de dólares para deixar a tutela.

O controle absurdo

O pai de Britney Spears e uma equipe passaram a controlar a vida pessoal e profissional da artista no ano de 2008, após uma série de episódios polêmicos que marcaram a carreira de Spears.

Spears durante apresentação em 2016 /Crédito: Getty Images

 

Sob o controle, Britney chegou a revelar publicamente em uma audiência, ocorrida em junho deste ano, que não tinha autorização para fazer coisas que parecem comuns em nossa rotina.

A dona do hit 'Toxic' disse que tinha um DIU (dispositivo intra-uterino) em seu corpo que a impedia de engravidar - ela não tinha autorização para removê-lo. 

Eu tenho um DIU em meu corpo agora que não me deixa ter um bebê e meus tutores não me deixam ir ao médico para retirá-lo".

Ela também chegou a declarar que foi forçada a fazer uma turnê em 2018, ano em que realizava uma série de shows numa residência em Las Vegas.

"Ah, claro. sim. OK. As pessoas que fizeram isso comigo não deveriam ser capazes de se safar tão facilmente. Para recapitular: eu estava em turnê em 2018. Fui forçada a fazer ... Minha equipe disse que se eu não fizesse essa turnê, teria que encontrar um advogado e, por contrato, minha própria equipe poderia me processar se eu não continuasse com a turnê. Ele [meu empresário] me entregou uma folha de papel quando eu saí do palco em Las Vegas e disse que eu tinha que assiná-la. Foi muito ameaçador e assustador. E com a tutela, eu não consegui nem mesmo ter meu próprio advogado. Então, por medo, fui em frente e fiz a turnê". 

Durante esse período, ela se recusou a fazer as apresentações e acabou sendo medicada. 

"Ele imediatamente, no dia seguinte, me deu lítio do nada. Ele me tirou meus remédios normais que estava usando há cinco anos. E o lítio é um medicamento muito, muito forte, e completamente diferente do que eu estava acostumada. Você pode ficar mentalmente debilitada se tomar muito, se ficar por mais de cinco meses. Mas ele me colocou nisso e eu me sentia bêbada", explicou. 

Britney, uma das cantoras que mais venderam álbuns na história dos EUA, também revelou que ficou sem acesso a cartão de crédito, dinheiro e o próprio telefone.

"O controle que ele tinha sobre alguém tão poderoso quanto eu - ele amava o controle para machucar sua própria filha 100.000%. Ele amou. Arrumei minhas malas e fui para aquele lugar. Eu trabalhava sete dias por semana, sem folga, o que na Califórnia a única coisa semelhante a isso se chama tráfico sexual. Fazer qualquer um trabalhar contra a sua vontade, levando embora todos os seus bens: cartão de crédito, dinheiro, telefone, passaporte. Todos moravam na casa comigo: as enfermeiras, o segurança 24 horas por dia, sete dias por semana. Havia um chef que vinha lá e cozinhava para mim todos os dias durante a semana. Eles me consultavam todos os dias, nua, de manhã, à tarde e à noite. Eu não tinha nenhuma privacidade, nem porta no meu quarto. E tiravam de mim oito frascos de sangue por semana".