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Após 30 anos de lei islâmica, Sudão se torna um país laico

O governo de transição sudanês assinou um acordo com grupos revolucionários que registra o fim da hegemonia islâmica pelo Estado

Giovanna de Matteo Publicado em 09/09/2020, às 12h30

Imagem meramente ilustrativa de sudaneses em Cartum
Imagem meramente ilustrativa de sudaneses em Cartum - Pixabay

O Primeiro-Ministro do Sudão, Abdalla Hamdok, e o líder do Movimento de Libertação Popular do Sudão – Setor Norte (MPLS-N), Andelaziz Al-Hilu, assinaram um acordo na última quinta-feira, 3, em Addis Ababa, capital da Etiópia, no qual separa oficialmente os assuntos religiosos do estado. As informações são do The Epoch Times. 

“O estado não deverá mais estabelecer uma religião oficial”, determinou o pacto que retirou o Islâmismo como religião oficial do país. “Nenhum cidadão será discriminado com base em sua religião. Para o Sudão tornar-se um país democrático, onde os direitos de todos os cidadãos são preservados, a constituição deve basear-se no princípio de ‘separação de estado e religião’, na falta da qual deve ser respeitado o direito de autodeterminação.”

A decisão ocorreu dias depois do governo e dos grupos rebeldes, pertencentes à Frente Revolucionária do Sudão, negociarem com um acordo de paz em Juba, no Sudão do Sul, o qual espera-se que dê fim aos confrontos em Darfur e outras regiões do país.

Por 30 anos, o país viveu sob a lei de sharia, consumada pelo regime do ditador Omar Al-Bashir, que chegou ao poder através de um golpe militar em 1989, orquestrado por Hassan Al-Turabi, líder do principal movimento islâmico sudanês, que ajudou na implementação da lei islâmica em todo o país.

Bashir foi deposto pelo exército em abril de 2019, após meses de protestos populares contra o governo. Desde então o Sudão está sob governo interino, e tenta ganhar voz no mapa globalizado após anos de isolamento.