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Após 30 anos, homem reencontra mãe desaparecida através da internet

Felipe Ferreira perdeu o contato com 'Dona Gentileza' quando ele tinha apenas 9 anos

Fabio Previdelli Publicado em 22/12/2021, às 12h38

Dona Gentileza ao lado do filho
Dona Gentileza ao lado do filho - Divulgação/ Arquivo Pessoal

Quando tinha menos de 9 anos de idade, Felipe Ferreira, agora com 38, viu sua mãe desaparecer enquanto sua família morava em Brasília. Três décadas depois, ele enfim a reencontrou. Dona Gentileza, como a idosa de 61 anos é chamada, estava vivendo em Santarém (PA).

"Com mais ou menos nove anos, eu perdi o contato com a minha mãe. Eu morava no Rio de Janeiro, no bairro do Campo Grande: eu, meu pai e minha irmã, que é filha de outro pai. Depois que eu nasci, minha mãe tomou remédio para emagrecer em excesso, e isso 'atacou os nervos dela'", relatou Felipe, que trabalha como orçamentista em uma concessionária, em entrevista ao UOL.

Antes da perda de contato com a mãe, Ferreira já havia sofrido um enorme trauma: a morte do pai. Nos anos seguintes, ele passou por diversos outros problemas, dependendo da ajuda de vizinhos e parentes para sobreviver. 

Meu pai foi assassinado quando eu tinha mais ou menos três anos, e com essa situação toda eu fui morar com a minha avó, quando eu era muito pequeno", explica.

Os dois se mudaram para Brasília. Pouco depois, sua avó também veio a falecer.  "Morando sozinho eu já dormi na rua, já dormi em oficina dentro de carro. Os vizinhos que sabiam um pouco da minha história me ajudavam, me oferecendo a limpeza de uma calçada, um carro; eu nunca pedi dinheiro, sempre preferi almoçar, tomar café da manhã. Eu já passei uma semana pra ter um alimento, só bebendo água".

A vida de Felipe começou a mudar de rumo quando um de seus vizinhos encontrou o contato de um primo do rapaz, que o abrigou. Ferreira, então, se mudou para o Rio de Janeiro. Na Cidade Maravilhosa, ele se casou duas vezes e teve dois filhos, hoje com 10 e 3 anos de idade. 

E nesse tempo todo, já adulto, eu sempre procurei minha mãe, mas nunca tive uma resposta", diz. 

No entanto, tudo mudou quando seu cunhado sugeriu que ele buscasse o nome de solteiro de sua mãe pelas redes sociais. Assim, Felipe viu na internet uma matéria de um jornal de Santarém que citava o nome completo da mulher. Ao entrar em contato com o jornalista que publicou a nota, os dois retomaram contato após anos. 

Felipe conhecera Dona Gentileza, que ganhou tal alcunha por sua simpatia e educação. Segundo os moradores de Santarém, Célia Regina Pitta dos Santos é famosa por usar a expressão “por gentileza”, além de conseguir, como poucos, traduzir palavras para turistas que visitam o município.

Dona Gentileza vivia em uma casa de repouso após ser resgatada — durante um período, ela chegou a morar nas ruas de Alter do Chão, também no Pará. Agora, porém, com a ajuda de parentes e amigos, Felipe trouxe sua mãe para viver com ele no Rio. 

“Mesmo com dificuldades, eu estou levando ela para o Rio, porque a empresa em que eu trabalho pagou as passagens pra eu buscar ela, ida e volta, meu cunhado também me ajudou um pouco e o que passei no cartão de crédito vou pagando", conta. 

“Vou fazer o possível e o impossível para cuidar dela. Porque eu não tinha lembrança nenhuma da minha mãe, foi como se eu tivesse nascido naquele dia", completa Felipe.