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Após 50 anos, Hildegard Angel recebe certidão de óbito do irmão e da mãe, executados pela ditadura militar

"Com estes documentos, poderemos contestar informações inverídicas que volta e meia são divulgadas na imprensa", declarou a filha de Zuzu Angel

André Nogueira Publicado em 09/09/2019, às 12h00

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Reprodução

50 anos após os brutais crimes, a jornalista Hildegard Angel recebeu a certidão de óbito de dois familiares assassinados durante a Ditadura Militar: o irmão Stuart Angel, estudante, e a mãe Zuzu (Zuleika) Angel, famosa estilista. O acontecimento foi revelado na coluna de Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.

Os documentos liberados, sobre as mortes nos anos 1970, revelam como causa “morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição sistemática e generalizada a população identificada como opositora política ao regime ditatorial de 1964 a 1985”. Um importante caso de reparação histórica.

“Agora recebemos os dois documentos. É mais uma página, uma conquista importante, nessa longa e triste história. Doravante, com estes documentos, poderemos contestar informações inverídicas que volta e meia são divulgadas na imprensa, e agora até em livro supostamente ‘de História'”, declarou Hildegard Angel.

Zuzu em NY / Crédito: Wikimedia Commons

 

A expedição dessas certidões partiu da procuradora Eugênia Gonzaga, que era presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, até ter sido afastada do cargo pelo presidente Jair Bolsonaro, por sua competência em tão incomodo órgão, durante um governo que exalta o Regime Militar. 

Stuart foi preso e torturado na base aérea do Galeão até que não resistiu e morreu, em 1971. Zuzu, que teve a sua história retratadas em biografias, foi assassinada em um "acidente de carro" forjado pelo governo. "Geisel encomendou a morte de minha mãe", colocou a filha.