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Após 64 anos de sua morte, o lendário James Dean voltará a estrelar um filme

Ator será ‘ressuscitado’ para atuar no filme Finding Jack, que narra a Guerra do Vietnã. A escolha gerou polêmica em Hollywood

Fabio Previdelli Publicado em 11/11/2019, às 10h44

O ator James Dean posa para uma foto da Warner Bros em seu filme 'Rebelde Sem Causa', em 1955, em Los Angeles, Califórnia.
O ator James Dean posa para uma foto da Warner Bros em seu filme 'Rebelde Sem Causa', em 1955, em Los Angeles, Califórnia. - Getty Images

Após 64 anos de sua morte, o lendário ator James Dean voltará a estrelar um filme de Hollywood. Mas como isso é possível?

Por meio da técnica de CGI (Imagens Geradas por Computador), Dean será ‘ressuscitado’ para atuar em Finding Jack, um novo drama de ação sobre a Guerra do Vietnã. O ator morreu que morreu em 1955, em um trágico acidente de carro aos 24 anos, aparecerá como um personagem secundário chamado Rogan.

O uso da imagem de James Dean só será possível porque a produtora Magic City Films, dos diretores Anton Ernst e Tati Golykh, adquiriu os direitos do ator junto à família dele. Segundo o site The Hollywood Report, a companhia irá utilizar vídeos e fotos reais dele para recriar sua face em CGI, já a voz de Dean será imitada por outro ator.

O longa, que tem a estreia prevista para 11 de novembro de 2020, será baseada em um romance homônimo que conta como mais de 10 mil cães foram abandonados após o fim da Guerra do Vietnã.

Ao falar sobre a escolha de James Dean para o papel, Ernst declarou: “Procuramos em todos os lugares pela pessoa perfeita para interpretar o papel de Rogan, que tem alguns arcos extremamente complexos, e após meses de pesquisa, decidimos que teria de ser James Dean”.

“Nos sentimos muito honrados com o apoio da família dele e iremos tomar todos os cuidados para garantir que seu legado como uma das estrelas mais épicas do cinema em todos os temos continue intacto. A família enxerga esse como seu quarto filme, um filme que ele nunca teve a chance de fazer. Não temos a intenção de desapontar seus fãs”, declarou o diretor.

Apesar da empolgação dos diretores, a polêmica escolha foi duramente criticada por alguns profissionais da área. Chris Evans, eternizado como Capitão América, ironizou a escolha por meio de seu twitter:

“Tenho certeza que ele iria adorar. Isso é horrível! Quem sabe a gente não consiga que um computador pinte um novo quadro Picasso ou componha algumas músicas novas do John Lennon. A falta de compreensão é vergonhosa”.

Elijah Wood, o etrno Frodo Bolseiro, e a atriz Zelda Williams, filha do lendário comediante Robins Williams, também não esconderam seu descontentamento com a escolha:

“NÃO. Isso não deveria existir!”.

“Eu falei sobre isso com meus amigos por ANOS e ninguém acreditou em mim quando disso que a indústria jogaria tão baixo quando a tecnologia permitisse. Golpe publicitário ou não, estão usando um morto como marionete por sua ‘influência’ e estão abrindo um terrível precedente para o futuro da atuação”.

O ator Devon Sawa (Premonição), que foi preterido por Dean, também criticou a escolha de Dean. Já Julie Ann Emery (Preacher) levantou outras questões que envolvem a atuação de Dean:

“Eles não podiam ter dado o papel para um ser humano?”.

“É, esse não é o James Dean. É a cara dele refeita com captação de movimentos com um ator ‘anônimo’ lhe dando voz e escolhas. Quero saber como isso será creditado. Como os atores serão pagos. E o quão pouco essa equipe entende de atuação.”