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Após acusação de racismo, procurador de justiça do Pará renuncia ao cargo

'Problema da escravidão no Brasil foi porque índio não gosta de trabalhar' afirmou Ricardo Albuquerque, em áudio vazado em novembro de 2019

Penélope Coelho Publicado em 11/03/2020, às 13h15

Procurador de Justiça do Pará Ricardo Albuquerque
Procurador de Justiça do Pará Ricardo Albuquerque - Divulgação/ MPPA

Após ser afastado do cargo desde 3 de março, sob acusações de racismo, o procurador de Justiça do Pará, Ricardo Albuquerque, enviou ontem, dia 10, uma carta à Procuradoria-Geral de Justiça do Pará, manifestando sua vontade de renunciar seu emprego de ouvidor-geral do Ministério Público do Estado (MP).

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) investigava o promotor por suas declarações racistas dadas durante uma palestra para estudantes de direito, em novembro de 2019.

Na época, Ricardo se justificou dizendo não ter dívidas com negros além de criticar também os índios. "Não acho que nós tenhamos dívida nenhuma com quilombolas. Nenhum de nós aqui tem navio negreiro", alegou.

O promotor estava nesta função desde dezembro de 2018. Com a renúncia, o Ministério Público do Estado do Pará irá promover uma nova eleição para o posto de ouvidor da instituição, ainda sem data definida. Até lá, o procurador Antônio Eduardo Barleta de Almeida, primeiro vice-ouvidor da instituição, assume o cargo.