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Após farsa, itens roubados de Alan Turing serão devolvidos ao Reino Unido

Os objetos levados por uma mulher aos EUA na década de 1980 finalmente serão recuperados

Giovanna Gomes Publicado em 09/11/2020, às 12h21

Matemático Alan Turing
Matemático Alan Turing - Getty Images

Objetos de Alan Turing, que haviam sido roubados e levados aos EUA em 1984, serão devolvidos ao Reino Unido. Entre os 17 ítens que foram retirados ilegalmente da Escola Sherborne de Dorset, estão uma carta e uma medalha, ambas entregues pelo Rei George VI ao matemático. Além disso, há fotografias e o certificado de PhD da Universidade de Princeton de Turing

A responsável pelo roubo é Julia Turing que, apesar de ter o mesmo sobrenome do gênio, não é parente dele. Nascida Julia Schwinghamer, ela alterou seu nome legalmente no ano de 1988.

O crime foi descoberto em 2018, quando os objetos foram encontrados pela polícia na casa da mulher, localizada na cidade de Conifer, nos EUA. A investigação teve início após ela ter oferecido a coleção para que fosse exibida em uma mostra da Universidade do Colorado.

Em uma audiência realizada em outubro no Tribunal do Colorado, Julia declarou: "Estou desistindo de minha coleção para entregá-la à Inglaterra. Não quero esconder nada da Inglaterra por egoísmo." E prosseguiu: "Desejo apenas o melhor para o legado de Alan Turing, cujos pertences eu tive o privilégio de ter mantido em minha presença todos esses anos." 

Quem foi Alan Turing

Ele era franzino, tímido e meio excêntrico. Nunca empunhou uma arma, mas foi um dos personagens mais importantes da Segunda Guerra. Atrás de uma escrivaninha, Alan Turing, considerado o pai da computação, encontrou a chave para decifrar os códigos usados em mensagens nazistas — e, graças a seu trabalho, os aliados desvendaram cada passo dado pelos inimigos, onde encontrar seus submarinos e até como deveria ser a reação alemã durante o Dia D

A comemoração tem gosto amargo. Turing era homossexual, condição considerada criminosa na Grã-Bretanha até 1967. Condenado, recebeu injeções de hormônios femininos, o que se conhece como castração química. Tinha 41 anos em 7 de junho de 1954, quando, transtornado com as alterações em seu corpo e pela realidade homofóbica e autoritária em que vivia, deu cabo da vida.