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Após Greta Thunberg criticar morte de índios, Bolsonaro chama a jovem ativista sueca de “pirralha”

A polêmica declaração se deu ao ser questionado sobre o assassinato de dois indígenas da etnia Guadajajara, no último sábado, 7, no Maranhão

Fabio Previdelli Publicado em 10/12/2019, às 14h06

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro - Getty Images

Em rápido atendimento à imprensa na saída do Palácio da Alvorada, nesta terça-feira, 10, o presidente Jair Bolsonaro criticou o espaço dado nos meios de comunicação às declarações da ativista sueca Greta Thunberg, de 16 anos, a quem chamou de “pirralha”.

A declaração se deu ao ser questionado sobre o assassinato de dois indígenas da etnia Guadajajara, no último sábado (7), no Maranhão.

“Qual o nome daquela menina lá? De fora, lá? Greta. A Greta já falou que os índios morreram porque estavam defendendo a Amazônia. É impressionante a imprensa dar espaço para uma pirralha dessa aí. Pirralha.”, declarou Bolsonaro.

Tweet de Greta Thunberg / Crédito: Reprodução

 

No último domingo, 8, a ativista compartilhou em seu twitter um vídeo da rede de notícias internacionais, Al Jazeera, que alertava sobre a morte dos nativos. “Os povos indígenas estão literalmente sendo assassinados por tentar proteger a floresta do desmatamento ilegal. Repetidamente. É vergonhoso que o mundo permaneça calado sobre isso”, escreveu Greta.

No entanto, as críticas de Thunberg não ficaram restritas apenas nas redes sociais. Ao participar da cúpula climática da ONU, em Madri, que aconteceu no dia seguinte, ela voltou a cobrar um posicionamento dos líderes mundiais. “Os direitos deles estão sendo violados em todo o mundo, e eles também estão entre os mais atingidos, e mais rapidamente, pela emergência climática e ambiental”.

Além da polêmica declaração, Bolsonaro afirmou que “qualquer morte preocupa. Nós queremos cumprir a lei, somos contra o desmatamento ilegal, somos contra a queimada ilegal. Tudo que for contra a lei nós somos contra”.

Em resposta às declarações de Jair Bolsonaro, Greta Thunberg atualizou sua descrição no Twitter para “Pirralha”.

Perfil de Greta Thunberg / Crédito: Reprodução

 

Vale ressaltar que, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), 2019 tem o maior índice dos últimos 11 anos, no mínimo, em relação ao número de lideranças indígenas que foram mortas durante conflitos.

O balanço preliminar, que só terá dados finais em abril do próximo ano, aponta que este ano o número de vítimas fatais chegou a sete, sendo que três desses casos aconteceram somente nos primeiros dias do mês de dezembro: além dos dois indígenas de Guadajajara, o ativista Humberto Peixoto Lemos, da etnia Tuyuca, morreu no hospital depois de ser agredido a pauladas na segunda-feira, dia 2.