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Após incêndio, Defesa Civil informa que estátua de Borba Gato não foi comprometida

O episódio aconteceu no último sábado, 24, em São Paulo

Redação Publicado em 25/07/2021, às 11h42 - Atualizado em 26/07/2021, às 09h05

A estátua em chamas
A estátua em chamas - Divulgação/Vídeo/Youtube

Inaugurada no ano de 1963, a estátua erguida em homenagem ao bandeirante Borba Gato foi alvo de um incêndio no último sábado, 24, em São Paulo.

Localizada na Praça Augusto Tortorelo de Araújo, em Santo Amaro, Zona Sul de SP, a estátua não teve a sua estrutura comprometida após o ato.

É isso que demonstra uma avaliação preliminar feita pela Defesa Civil na estátua após o episódio, conforme informou a prefeitura da cidade.

Investigações

Conforme divulgado pelo portal de notícias G1, a polícia de São Paulo iniciou uma investigação para identificarem os responsáveis por deixar a estátua em chamas.

Contudo, foi informado também que uma perícia mais detalhada deve ser realizada nos próximos dias para avaliar as condições da estátua feita por Júlio Guerra.

O monumento divide opiniões desde momento em que foi erguido. Isso porque os bandeirantes são associados não somente a captura e escravização de indígenas e negros, mas também ao estupro e tráfico de indígenas durante as expedições realizadas no interior do país.

A queda das estátuas

Os ataques às estátuas não são recentes na história moderna. Com a morte de George Floyd, um homem negro que foi sufocado até a morte por um polícial nos EUA, manifestantes passaram a derrubar monumentos ligados a nomes da escravidão no país e ao redor do mundo.

No ano passado, conversamos com o historiador José Rivair Macedo, doutor em História Social pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e autor do livro História da África, publicado pela Editora Contexto, sobre o assunto. 

“Quando vemos uma estátua sendo derrubada, temos uma vontade pública que está sendo manifestada. Isso não foi iniciado pelo movimento Vidas Negras Importam, é uma forma política de se manifestar. Isso aconteceu na Revolução Francesa, quando se mudou o calendário, quando memórias do antigo regime foram excluídas e substituídas por símbolos novos; isso aconteceu na chamada Revolução Bolchevique, quando a memória do czarismo foi atacada; e aconteceu em 1992, depois do fim da União Soviética", explicou Rivair na época.

Em sua visão, o ato tem um significado direto com o que a figura representa. "O que está sendo atacado é uma noção de normalidade, é uma noção de consenso, do que é alguém ser dignificado no passado e outros nem serem considerados para tal. Então, nesse sentido, a minha opinião pessoal não é a que importa, o que importa é o significado político que está colocado aí".

Veja a conversa completa aqui.