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Após Ministério exaltar Golpe, internautas relembram vítimas da Ditadura

Um dos vídeos que mais chama a atenção é o da advogada Eny Moreira sobre uma militante morta pelos agentes da Ditadura: “Ela tinha um olho saltado, o outro completamente preto"

Fabio Previdelli Publicado em 31/03/2022, às 13h00

Manifestação contra a ditadura militar no Brasil
Manifestação contra a ditadura militar no Brasil - Divulgação/Domínio Público

Depois da nota publicada pelo Ministério da Defesa exaltando o Golpe de 64 como “um marco histórico da evolução política brasileira”, diversos internautas mostraram repúdio a Ditadura Militar brasileira, que foi instaurada há exatos 58 anos, relembrando vítimas que sofreram torturas ou foram mortas durante o período. 

Um dos vídeos que mais viralizou nas redes é sobre o depoimento de Eny Moreira, advogada e defensora dos direitos humanos brasileira que foi presidente-fundadora do Comitê Brasileiro pela Anistia, além de integrar a Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro.

No vídeo em questão, Moreira, que faleceu em janeiro deste ano, vítima de uma parada cardíaca, relata como ficou o corpo da militante Aurora do Nascimento após as torturas sofridas pelos agentes do regime:

Quando eu cheguei, a Aurora estava já no caixão”, se recorda emocionada. 

“Foi posta um pano branco rasgado na manga e aqui [aponta para o ombro] para imitar um vestido. A gente foi cobrindo de flores [o caixão]. Ela tinha um olho saltado, o outro completamente preto. Um afundamento no maxilar, uma fratura exposta no braço. Mordidas pelo corpo. Não tinha unha nem bico de peito”, prossegue. 

O cabelo dela era liso. Ela tinha 26 anos, branquinha. Eu tinha a mesma idade dela. O cabelo dela liso assim [aponta em direção ao ombro] e tinha uma franja que tinha sido cortada em cima da sobrancelha, toda irregular. E eu fiz um gesto, desse gesto de carinho que você faz em criança, passando a mão assim [na testa em direção à nuca]. Quando eu passei a mão, que o cabelo levantou, meu dedo afundou. Aí eu comecei a mexer no cabelo. 

"A última coisa que eles [militares] fizeram com ela foi apertar um torniquete. Por isso que ela tinha um olho saltado”, recorda em lágrimas. “A gente tratou de botar muita flor nela para ver se os pais não percebiam [as marcas da tortura]”, completa. 


Outros depoimentos

Guilherme Boulos, coordenador do MTST, que disputou as eleições presidenciais em 2018, também compartilhou um trecho em que debate sobre a Ditadura como o também candidato, à época, Fernando Haddad

“Muita gente morreu. Muita gente foi torturada. Tem mãe que não conseguiu enterrar seu filho até hoje”, diz Boulos, recordando de seu sogro que foi torturado durante a Ditadura Militar. “Se nós estamos aqui hoje discutindo o futuro do Brasil, é porque teve gente que derramou sangue para ter democracia”.

Por fim, uma campanha organizada pela União da Juventude Rebelião incentivou os usuários do Twitter a trocarem sua foto de perfil pela imagem de vítimas do Golpe.