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Notícias / Nazismo

Após polêmica, Adrilles nega saudação nazista: 'Me sinto até constrangido'

Após denúncia de internautas, entidade judaica usou as redes sociais para chamar a atenção a respeito do episódio

Redação Publicado em 09/02/2022, às 10h57 - Atualizado às 10h59

Momento que causou polêmica nas redes sociais - Divulgação/Youtube/Vídeo/Jovem Pan
Momento que causou polêmica nas redes sociais - Divulgação/Youtube/Vídeo/Jovem Pan

Os brasileiros se depararam com um debate esdrúxulo na última terça-feira, 8, após o apresentador Monark, apelido de Bruno Aiub, defender o reconhecimento de um partido nazista no Brasil, e também se demonstrar a favor da existência do que seria um 'anti-judeu' durante um episódio do Flow Podcast. 

Após a fala do apresentador, entidades judaicas e personalidades midiáticas repudiaram o episódio. Contudo, apenas algumas horas depois, uma nova polêmica envolvendo nazismo tomou conta das redes sociais novamente. 

Nova polêmica

Adrilles, apresentador da emissora, foi acusado de fazer a saudação nazista após finalizar os seus comentários sobre a polêmica envolvendo Monark.

Ao levantar a mão, internautas enxergaram uma semelhança com o 'sieg heil', comum no Terceiro Reich. 

Diante da repercussão, o grupo Judeus pela Democracia se manifestou através do Twitter.

"Já vimos atrocidades serem ditas nesta TV e rádio, mas um "sieg heil" é absurdo demais, até para a Jovem Pan. Depois de um dia como ontem, após um deputado e um youtuber defenderem a existência do Partido nazista no Brasil, Adrilles fez uma SAUDAÇÃO NAZISTA na TV", diz a nota. 

Adrilles nega 

Após a polêmica, Adrilles foi demitido pela Jovem Pan. Em comunicado ao Estadão, o apresentador se disse 'pasmo' pela dimensão que o episódio tomou, além de afirmar que a polêmica se deu diante da 'cultura do cancelamento'. 

Adrilles disse que o aceno costuma aparecer durante suas aparições no programa e que representa apenas um 'tchau'. 

"Eu jamais faria um gracejo de saudação nazista ao final de um longo comentário em que rechacei veementemente o nazismo", disse ele ao Estadão. "Me sinto até constrangido de ter de responder algo tão óbvio. Nunca pensei que fôssemos chegar a um nível de surrealismo tão grande".

Durante o programa, Adrilles lamentou o que foi falado por Monark, algo classificado como 'extremamente infeliz', além de condenar o Terceiro Reich. Ele disse que, em sua visão, o comunismo também deveria ser proibido.

"Eu acho que ele se expressou mal. (Defender) um partido que prega de maneira aberta que o povo judeu deva ser exterminado é uma declaração extremamente infeliz", afirmou Adrilles.

Além disso, Adrilles também disse ao veículo que Travassos o indagou sobre o gesto realizado durante o programa e questionou se não seria um 'sieg heil'. 

"Eu até brinquei: vou acabar sendo cancelado por má interpretação", afirmou ele.

O comunicado

Abaixo, você confere o pronunciamento da Jovem Pan a respeito da polêmica. 

"O Grupo Jovem Pan repudia qualquer manifestação em defesa do nazismo e suas ideias. Somos veementemente contra a perseguição a qualquer grupo por questões étnicas, religiosas, raciais ou sexuais.

No exercício diário de informar e esclarecer nossa audiência, prezamos pelo livre debate de ideias, mas não endossamos qualquer tipo de manifestação que leve ao discurso de ódio e reforce ideias que remetam a um episódio da nossa história que deve ser lembrado como símbolo de um erro da humanidade que não deve jamais ser repetido.

Nossos comentaristas têm independência para emitir opiniões, respeitando os limites da lei, opiniões estas que não refletem as posições do Grupo Jovem Pan".

O rastro do nazismo

Durante o Holocausto na Segunda Guerra Mundial (1939 -1941), estima-se que cerca de 5 a 6 milhões de judeus tenham sido mortos pelo regime nazista, sob a justificativa de uma supremacia da raça ariana.

Ao lado de outras mentes cruéis, Adolf Hitler foi o responsável pelo massacre de judeus, ciganos, homossexuais, testemunhas de Jeová e outras minorias durante a Segunda Guerra Mundial.

No Terceiro Reich, aqueles excluídos da ‘raça ariana’ eram enviados para campos de trabalho forçado e execução. Uma das vítimas brasileiras do regime é o senhor Andor Stern.

“Eu tive o privilégio de ter reposto tudo que eu perdi. A vida me compensou de verdade: me deu, por exemplo, uma família maravilhosa e a oportunidade de, ainda com a minha idade, ser lúcido. Eu não tenho muito do que reclamar da vida, ainda que tenha vivido o que eu presenciei”, disse ele em entrevista ao site Aventuras na História no ano passado.