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Após protestos, governo cubano anuncia nova medida que coloca fim às taxas em itens essenciais

O primeiro-ministro Manuel Marrero estabeleceu a primeira concessão aos manifestantes que invadiram as ruas no último dia 11

Isabela Barreiros, sob supervisão de Penélope Coelho Publicado em 15/07/2021, às 11h08

Imagem de manifestantes em Cuba
Imagem de manifestantes em Cuba - Getty Images

Ontem, 14, o primeiro-ministro de Cuba Manuel Marrero anunciou uma nova medida que se firma como a primeira concessão às pessoas que protestaram contra o governo no último dia 11. As informações são da ANSA, repercutidas pelo UOL.

Marrero afirmou a mudança durante um anúncio na televisão cubana. A partir do dia 19 de julho, os cubanos não precisarão pagar taxas alfandegárias para alimentos, remédios, e itens essenciais de maneira geral que entrarem no país.

A regra que vale até então constava que, na ilha, estava livre a entrada de até 10 quilos de remédios e alimentos e produtos de higiene em pouca quantidade. Ainda assim, isso só poderia acontecer se as taxas estabelecidas fossem pagas na alfândega.

A nova medida coloca fim a todas essas restrições e ficará em vigor até o dia 31 de dezembro deste ano, como informou o primeiro-ministro durante o anúncio. A pressão dos manifestantes fez com que o governo atendesse uma de suas reivindicações.

Embora tenha se mostrado rígido quanto aos pedidos dos cubanos que se posicionaram contra à gestão, o presidente Miguel Díaz-Canel passou a adotar uma perspectiva mais conciliatória após a divulgação da nova medida. 

Díaz-Canel disse que é necessário:

"ganhar experiência com os protestos e fazer uma análise crítica" dos conflitos atuais em Cuba. Ele afirmou ainda que “precisamos superar as divergências entre todos". 

Sobre os protestos

De acordo com o G1, a crise sanitária do novo coronavírus somada a escassez de alimentos e medicamentos resultam em cerca de 7 mil novos casos de covid-19 por dia no país, sendo o estopim para as manifestações.

Tal número atinge a notável taxa de 1,3 mil casos a cada 100 mil habitantes, ou compreendendo o atual acréscimo de casos em 1,3% da população. Além disso, o tratamento do governo em relação aos protestos também escancara a ausência de liberdade que, aos gritos e cânticos de milhares, pedem "liberdade" e "pátria livre".