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Após ser pichada, estátua de Winston Churchill é blindada em Londres

O atual premier do Reino Unido, Boris Johnson, classificou o novo risco de depredação à estátua como “absurdo” e “vergonhoso”

Vanessa Centamori Publicado em 13/06/2020, às 12h20

Estátua de Winston Churchill após a depredação
Estátua de Winston Churchill após a depredação - Divulgação

No último dia 7 de junho, durante protestos antirracistas em Londres, manifestantes picharam a estátua do ex-primeiro ministro do Reino Unido, Winston Churchill. Depois, o monumento foi blindado na última sexta-feira, 12, para evitar novos ataques. 

No último episódio, os manifestantes apagaram o nome de Churchill e escreveram no lugar as palavras “was a racist” (“era um racista”). Sobre a possibilidade da estátua ser depredada novamente, o atual premier do país, Boris Johnson, classificou o risco como “absurdo” e “vergonhoso”. 

Na sua conta na rede social Twitter, Johnson admitiu que o ex-primeiro ministro atuava de modo racista, porém defendeu o político.“Sim, às vezes ele expressava opiniões que eram e são inaceitáveis para nós hoje, mas ele era um herói e merece esse memorial. Nós não podemos tentar editar ou censurar nosso passado", escreveu Boris, em uma coletânea de tweets.

Ainda segundo o premier, "não podemos fingir que temos uma história diferente". Além disso, ele afirma que os protestos antirracistas foram “sequestrados por extremistas”. Vale lembrar que Boris Johnson é um admirador assumido de Churchill — ele até já escreveu uma biografia sobre o ex-primeiro-ministro, intitulada O Fator Churchill, e publicada em 2014. 

“Qualquer que seja o progresso que este país tenha feito no combate ao racismo — e tem sido enorme — todos reconhecemos que há muito mais trabalho a ser feito", disse Johnson. "Mas está claro que os protestos foram tristemente sequestrados por extremistas que querem violência". 

Winston Churchill, que governou o Reino Unido entre 1951 e 1955, é conhecido por combater o nazifascismo, mas também espalhou teorias conservadoras e polêmicas. Ele não fez apenas comentários racistas, mas também antissemitas. Uma das acusações contra o falecido premier é que ele teria negado comida para a Índia durante a epidemia de fome de 1943. O local era colônia britânica e lá morreram 2 milhões de pessoas.