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Após tensão, Coreia do Sul proíbe envio de material anti-comunismo para o Norte

O ato, que já foi condenado pela irmã do ditador Kim Jong Un, é acompanhado de multa e até mesmo prisão

Redação Publicado em 15/12/2020, às 12h24

O envio dos polêmicos balões
O envio dos polêmicos balões - Getty Images

Uma recente decisão tomada pela Coreia do Sul irritou ativistas que moram no país. Isso porque a nação optou por proibir o envio de folhetos que fazem propaganda contra a Coreia do Norte.

Em uma tradição antiga, são enviados folhetos contendo críticas sobre o comunismo e governo. O ato é realizado por desertores e enviado em balões. Como estratégia para chamar a atenção, costumam ser acompanhados de alimentos.

Um dos envios dos balões /Crédito: Getty Images

 

Conforme divulgado pela BBC, com a nova lei (que entrará em ação daqui três meses) é proibido que os ativistas façam o envio de mercadorias, dinheiro e até mesmo pen drives USB que apresentam notícias e informações do mundo que existe fora da nação mais fechada do mundo.

Segundo os ativistas de direitos humanos, a lei estabelecida pelo Sul fere a liberdade de expressão. Vale ressaltar que a medida se deu após Kim Yo Jong, irmã do tirano Kim Jong Un, demonstrar incômodo com o ato de envio de balões. Em suas palavras, os remetentes são uma “escória humana”.

Assim, quem desrespeitar a lei estará diante de uma multa avaliada em 30 milhões de won (aproximadamente 27.500 dólares). Mas não é só isso. A ação também prevê uma prisão de até três anos para quem enviar os panfletos.

A lei também relembra um episódio ocorrido em junho, que alimentou ainda mais o clima de tensão entre as duas Coreias.

No período, dois anos da criação de um escritório para facilitar a comunicação entre os dois países e reduzir as tensões causadas pelos impedimentos políticos, a Coreia do Norte decidiu cortar os laços da linha direta com a Coreia do Sul, impossibilitando completamente o escritório conjunto no dia 9 de junho, incluindo também as comunicações militares.

O funcionamento físico do escritório estava suspenso desde janeiro devido ao isolamento do novo coronavírus, mas a linha telefônica estava ativa, realizando dois telefonemas por dia — sempre às 9h e às 17h — para tratar de assuntos diplomáticos. Pela primeira vez em 21 meses, a Coreia do Sul realizou a chamada da manhã sem obter resposta.

O pedido do fechamento partiu da irmã do ditador norte-coreano, que manifestou incômodo com autoridades sul-coreanas por não conseguir conter o envio de panfletos para o norte.

Na época, a Agência Central de Notícias da Coreia do Norte (KCNA) acrescentou em seu relatório que “não há necessidade de ficar cara a cara com as autoridades sul-coreanas e não há problema em discutir com elas, pois elas apenas despertaram nosso desânimo”. 

++ Uma tensão de anos: Por que a Coreia foi dividida?