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Após transplante, mãos de jovem indiana recebem o seu tom de pele

Shreya Siddanagowder passou pelo procedimento cirúrgico em 2017. No entanto, só agora, houve a mudança na pigmentação dos membros — que eram de um homem com um tom de pele diferente

Fabio Previdelli Publicado em 12/03/2020, às 08h00

A jovem indiana Shreya Siddanagowder que teve suas mãos transplantadas
A jovem indiana Shreya Siddanagowder que teve suas mãos transplantadas - Divulgação

Em 2017, a jovem indiana Shreya Siddanagowder ganhou as manchetes ao torna-se uma entre as poucas pessoas que receberam um transplante de mãos. Para se ter uma ideia da raridade do procedimento, nos últimos 25 anos, menos de 100 intervenções dessa natureza foram realizadas.

Agora, com 21 anos, ela voltou a ganhar notoriedade por uma peculiaridade: as mãos transplantadas, que eram de um homem com um tom de pele diferente, ganharam a mesma tonalidade que a sua.

"Não sei como ocorreu a transformação. Mas agora parece que essas são minhas próprias mãos. A cor da pele ficou muito escura após o transplante, não que isso fosse minha preocupação, mas agora corresponde ao meu tom de pele”, relatou a indiana em entrevista ao Indian Express.

A jovem perdeu seus membros após sofrer um acidente de ônibus. Ela foi operada em um hospital em Kerala, no sudoeste da Índia. O procedimento foi o primeiro a ser realizado na Ásia entre pessoas de diferentes gêneros.

Comparação da mudança no tom de pele das mãos / Crédito: Divulgação

 

Segundo especialistas, a intervenção poderia ser um desafio por conta da diferença de gênero — devido aos hormônios. Por isso, os cuidados com a jovem foram redobrados no período pós-operatório.

A surpresa, no entanto, aconteceu de maneira positiva, quando os médicos notaram a mudança da cor dos tecidos. “Esperamos publicar dois estudos sobre transplante de mãos em uma revista científica. Isso levará tempo. Estamos registrando a mudança de cor no caso [da jovem indiana], mas precisamos de mais evidências para entender o processo", explicou a chefe de cirurgia plástica e reconstrutiva do Instituto Amrita, Subramania Iyer.

"Um soldado afegão que recebeu um transplante de mão de um doador do sexo masculino também havia notado uma ligeira mudança no tom de pele, mas morreu no Afeganistão na semana passada. Não pudemos documentar muita coisa”, concluiu.

Conforme explicou Mohit Sharma, cirurgião plástico que fez parte da equipe que operou Shreya Siddanagowder, pesquisas sobre casos dessa natureza são escassos. “Houve um transplante de mão de mulher para homem no Ocidente, mas não houve pesquisas científicas sobre o que acontece depois".

O especialista explicou que demora por volta de um ano para que o fluxo de fluidos, por meio do canal linfático, ocorra entre a mão implantada e o corpo hospedeiro. "É possível que as células produtoras de melanina [cuja função é pigmentar a pele] substituam lentamente as células do doador — e isso leve à mudança".

Apesar da surpresa, vale salientar que as mãos da jovem indiana ainda não são completamente funcionais, já que um dos nervos não está operando como o esperado. Porém, isso não pareceu tirar a satisfação de Siddanagowder com o sucesso da operação. Além da parte estética, ela mesma conseguiu escrever às questões de suas provas na faculdade.