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Arne Cheyenne Johnson: o homem que alegou possessão demoníaca para justificar um assassinato

Apesar da contestação científica do tribunal, o acompanhamento feito pelos lendários demonologistas Ed e Lorraine Warren revelou um caso sombrio

Wallacy Ferrari Publicado em 29/08/2020, às 09h00

Arne entrando no tribunal durante julgamento
Arne entrando no tribunal durante julgamento - Divulgação

Arne Cheyenne Johnson tinha 19 anos quando cometeu o feito que mudaria sua vida, porém, já relatava pressentir que algo de ruim ocorreria muito antes do episódio. No verão de 1980, diversas manifestações estranhas começaram a ser relatadas pelo irmão da se sua noiva, Debbie. Com apenas 11 anos, o pequeno David relatava que presenciou um homem velho que o insultava. O casal não deu bola para o garoto, acreditando se tratar de mais uma peça de sua imaginação fértil.

Porém, o garoto começou a acordar chorando histericamente, afirmando ter pesadelos com um homem que tinha características semelhantes as de um demônio. Posteriormente, o garoto começou a agir com violência — chutava, cuspia, mordia e dizia palavras terríveis. A família chegou a pedir a benção de um padre local, mas não surtiu efeito. Logo, os demonologistas Ed e Lorraine Warren foram acionados para auxiliar na causa.

Em três exorcismos ministrados pelo casal, o garoto chegou a amaldiçoar pessoas e interromper sua respiração, porém, o fato mais surpreendente, seria a previsão do crime que Arne cometeria. Durante uma das manifestações de David, Johnson começou a gritar para que a presença demoníaca fosse embora, também sendo alvo de palavras de ódio e maldição.

Casal de demonologistas Ed e Lorraine Warren em fotografia / Crédito: Getty Images

 

A polêmica

Quatro meses após a última manifestação de David, em 16 de fevereiro de 1981, uma violenta discussão teria um fim inexplicavelmente trágico; Arne se encontrou com Bono, cunhado de sua noiva, e o golpeou várias vezes no peito com um canivete, fazendo o homem de 40 anos sangrar até a morte. A polícia capturou Johnson horas depois, mas o criminoso não sabia responder o que havia acontecido.

Buscando saber o histórico dos dias anteriores de Arne, os demonologistas chegaram à conclusão de que o rapaz havia passado próximo a um poço, onde David afirmou ter visto a manifestação maligna pela primeira vez. Por mais que os Warren orientaram os familiares a ficarem longe da localidade, o rapaz de 19 anos ignorou, visto que a última possessão havia ocorrido meses antes.

Com o auxílio de familiares, do advogado Martin Minnella e da dupla Ed e Lorraine Warren, Arne construiu a defesa de que era “inocente por motivo de possessão demoníaca”, com o histórico de assombrações entregue para as autoridades na justificativa da acusação de que Bono havia sido morto apenas por motivos de atrito.

Arne entrando no tribunal durante julgamento de assassinato / Crédito: Divulgação

 

Advogado do diabo

Minella construiu um dossiê dos problemas com o demônio na família de Arne, documentando passagens anteriores e planejando até mesmo intimar padres que participaram de sessões de exorcismo para cooperar na defesa de seu cliente. A tentativa, no entanto, se tornou alvo de chacota do júri e da imprensa — que consultou parapsicólogos, responsáveis por contestar a versão.

O juiz Robert Callahan aceitou a visualização das provas, mas descartou o apelo do advogado, argumentando que tal defesa seria “impossível de provar”, e que “qualquer testemunho sobre o assunto não era científico e, portanto, irrelevante”. A prova final seria as roupas de Bono; após a autorização para examinar, Minella provou que não havia rasgos, sangue ou lágrimas no material, porém, não convenceu o tribunal.

A virada de apelo ocorreu em novembro de 1981, quando a equipe jurídica que amparava Arne desistiu da solicitação relacionada a possessão e optou por um apelo de legítima defesa, sem sucesso. O rapaz foi condenado a uma pena de 10 a 20 anos de prisão, cumprindo cinco em regime fechado.


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