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Arqueólogos descobrem alterações aborígenes de 29 mil anos feitas em regiões fluviais da Austrália

Com o auxílio de uma datação via radiocarbono, os pesquisadores da Universidade Flinders puderam analisar como os primitivos se comportavam diante de fenômenos naturais

Wallacy Ferrari Publicado em 15/07/2020, às 09h00

Um dos pontos onde a presença de aborígenes foi notada
Um dos pontos onde a presença de aborígenes foi notada - Universidade Flinders

Uma equipe de arqueólogos da Universidade Flinders realizou uma análise de datação em um dos locais indígenas mais antigos do maior sistema fluvial da Austrália, localizado na planície de inundação do rio Pike. Com o auxílio de escaneamentos por radiocarbono, foi possível estudar as conchas de mexilhões em rios no local montanhoso, de acordo com o estudo publicado na Australian Archaeology que foi replicado pelo Phys.org.

O resultado da análise conseguiu relacionar a ocupação de aborígenes na região com a mudança da paisagem fluvial, com alterações não-naturais feitas pelos habitantes. As mudanças revelam que o local já recebia aborígenes a pelo menos 22 mil anos, incluindo passagens durante o Último Máximo Glacial (conhecido como a última Era Glacial).

Um dos pontos onde a presença de aborígenes foi notada / Crédito: Universidade Flinders

 

As alterações promovidas pelos aborígenes são relacionadas com a movimentação dos sistemas de rios e lagos da bacia, podendo revelar passagens em relação aos impactos ecológicos do país, desde períodos de secas, enchentes e acúmulos de sal — fenômeno que ocorre com frequência no vale da Bacia Murray-Darling.

A professora e co-autora do estudo, Amy Roberts, explica que a descoberta joga luz na história, possibilitando novas resoluções em relação a presença dos aborígenes na região: "Esta nova pesquisa, publicada na Australian Archaeology, preenche uma lacuna geográfica significativa em nossa compreensão das cronologias de ocupação aborígine para a bacia Murray-Darling".