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Arqueólogos descobrem a cirurgia craniana mais antiga dos EUA

Procedimento ocorreu três mil anos atrás, e paciente teria sobrevivido

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 12/04/2022, às 11h56

Pintura meramente ilustrativa de conselho de nativos-americanos por Henry F. Farny
Pintura meramente ilustrativa de conselho de nativos-americanos por Henry F. Farny - Domínio Público

Durante o último encontro anual de bioarqueólogos norte-americanos, que ocorreu em março de 2022, a pesquisadora Diana Simpson descreveu ter feito a incrível descoberta da mais antiga cirurgia craniana realizada nos Estados Unidos.

O esqueleto em questão foi encontrado no sítio arqueológico de Little Bear Creek, localizado no estado do Alabama, no ano de 1940, junto de outros 162 restos mortais, todos pertencendo a nativos que habitaram a região por volta de 3 mil anos atrás.

Foi apenas em 2018, contudo, que Simpson teve acesso aos ossos em que identificaria evidências do arriscado procedimento, conforme repercutido pelo Science News. 

Sua pesquisa centrou-se em um homem indígena que, além de trazer um buraco na testa, onde o crânio havia sido raspado, possuía diversas fraturas espalhadas pelo corpo.

Dessa forma, a hipótese da estudiosa é que ele foi tratado por um xamã após ser vítima de um ataque ou queda grave. O objetivo da cirurgia, neste caso, seria a redução de um inchaço craniano causado pelas graves lesões sofridas pelo paciente. 

A operação teria sido relativamente bem-sucedida: o crânio investigado mostrava sinais de crescimento, indicando que o homem viveu por mais um ano. O estudo coloca fornece uma nova perspectiva à ideia que temos hoje dos conhecimentos dos nativos que habitaram a América do Norte a 3 mil anos. 

Um último detalhe importante é que, no restante do mundo, a operação mais antiga realizada em um crânio data de 13 mil anos atrás e ocorreu na porção norte do continente africano.