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Arqueólogos descobrem pinturas rupestres aborígenes incomuns na Austrália

Elas representam a relação dos seres humanos com cangurus e outros animais, em cenas “raras na arte rupestre primitiva, não apenas na Austrália, mas em todo o mundo”

Isabela Barreiros Publicado em 06/10/2020, às 14h55

Pintura de um canguru ou animal similar
Pintura de um canguru ou animal similar - Divulgação/Australian Archaeology

Depois de anos investigando a região Arnhem Land, na Austrália, pesquisadores identificaram 572 pinturas rupestres aborígenes em 87 locais diferentes, em uma descoberta única para a arqueologia. As imagens representadas pelos artistas mostraram-se como muito raras.

Segundo o estudo publicado na revista científica Australian Archaeology, foram encontradas representações de cangurus sentados, voltados para sua frente, e interagindo com seres humanos. Indivíduos também foram desenhados com toucas variadas e segurando cobras. 

A área de quase 130 quilômetros possui artes de diversos períodos históricos da Austrália. “Nós encontramos algumas pinturas curiosas que são diferentes de tudo que tínhamos visto antes”, afirmou Paul SC Taçon, principal autor do estudo e presidente de pesquisa de arte rupestre da Griffith University.

Crédito: Divulgação/Australian Archaeology

 

A principal ideia exposta nas pinturas rupestres é a interação entre os animais e os humanos, de forma muito íntima. Em algumas obras, os cangurus parecem observar a vida humana em proximidade. Produzidas em tons vermelhos, muitas possuem mais de 2,5 metros de altura e outras até mesmo reproduzem o tamanho natural do que está sendo pintado.

Em relação à datação, os pesquisadores acreditam que a maioria das imagens remonte entre o período entre 6 mil e 9.400 anos atrás. 

“Essas cenas são raras na arte rupestre primitiva, não apenas na Austrália, mas em todo o mundo. Elas fornecem um vislumbre notável da vida aborígine passada e das crenças culturais”, concluiu Taçon.