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Arqueólogos descobrem vestígios de igreja anglo-saxã de 900 anos sob antiga paróquia

Escavação feita no sul da Inglaterra revelou mais do que os pesquisadores imaginavam encontrar

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 13/09/2021, às 13h14

Simulação mostra como seria a igreja no passado
Simulação mostra como seria a igreja no passado - Divulgação/HS2

Um time de pesquisadores estava realizando um trabalho de escavação em Stoke Mandeville, no sul da Inglaterra, para a construção da rede ferroviária High Speed ​​2 (HS2), quando se deparou com vestígios de uma paróquia normanda. O que eles não esperavam é que iriam encontrar uma igreja anglo-saxã sob a estrutura.

Os arqueólogos descobriram tijolos romanos, paredes e pedaços de piso sob a igreja conhecida como St. Mary’s Old, que foi construída em 1080, pouco depois da conquista dos normandos. Embora bastante antiga, ela foi restaurada nos séculos 13, 14 e 15, mas acabou se tornando ruínas na década de 1960 com o desuso.

Local das escavações / Crédito: Divulgação/HS2

 

A surpresa maior foi com o que estava embaixo da igreja, que datava do período pré-normando. Segundo os especialistas envolvidos no trabalho de campo, a fundação encontrada no local é bastante parecida com a de uma igreja anglo-saxã localizada na cidade de Barton, o que os levou a pensar que também se trata de uma capela.

Os estudiosos acrescentaram que foi encontrada uma vala circular na igreja que remonta à 900 anos atrás, onde provavelmente estiveram enterradas pessoas. Restos humanos e artefatos também foram encontrados, embora a identificação dos objetos ainda não tenha sido divulgada ao público. 

Local onde as escavações estão sendo feitas na Inglaterra / Crédito: Divulgação/HS2

 

“O trabalho realizado na St. Mary’s Old é uma oportunidade arqueológica única para escavar uma igreja paroquial medieval com mais de 900 anos de significado para a comunidade local”, disse a arqueóloga Rachel Wood, líder das escavações, em nota, repercutida pela revista Galileu. 

“Também nos dá a chance de aprender mais sobre a comunidade que usou a igreja e entender as vidas que tiveram”, acrescentou. 

"Todos os artefatos e restos humanos descobertos serão tratados com dignidade, cuidado e respeito e nossas descobertas serão compartilhadas com a comunidade por meio de dias abertos e palestras de especialistas”, afirmou Helen Wass, chefe de patrimônio do HS2.